domingo, 20 de setembro de 2020

PREVI e a Lei do Idoso

 

PREVI - Superior a Tudo

Marcos Cordeiro de Andrade

Curitiba (PR), 20 de setembro de 2020.

Caros colegas,

Nos idos de 1958, quando recruta no 15º RI em J. Pessoa-PB, me insurgi contra a máxima reinante na caserna de que “soldado é superior ao tempo”, por achar que isso era descabido, além do que ia de encontro às Leis Divinas.

Por conta da pretensa assertiva algumas vezes, alta madrugada, os 120 soldados que compunham a “CCSv” éramos acordados para fazer exercícios de ordem unida no enlameado pátio do quartel, debaixo de chuvas torrenciais. Isso me causava indignação porque suportado em uma falsa lei.

Esse rememorado episódio me faz renascer o desprezo pela criação de “leis” para justificar impropriedades. Pior ainda, aflora a revolta que nutro quando a Lei verdadeira é desrespeitada abertamente.

Passado o tempo, tocado por outras Leis (retas ou esconsas) convivo agora, aos 81 anos de idade, com prejuízos materiais causados pelas espúrias leis da PREVI que atropelam quantas outras verdadeiras queira. Basta dizer que a cada mudança estatutária isso se concretizou.

Não é demais dizer que ao avocar para si a capacidade de legislar afronta a Constituição Federal. e parece desconhecer as Leis de Deus que pregam o amor ao próximo. E mais precisamente, ignora uma Lei dos homens que preconiza a igualdade entre novos e velhos (LEI Nº 10.741, DE 1º DE OUTUBRO DE 2003). Esta Lei, que nasceu para proteger os de idade avançada, é sistematicamente desobedecida pelo nosso Fundo passando por cima do significado e modificando a essência com o falso peso de regulamentos, arremedos de leis próprias. Logo ela, para quem contribuímos durante dezenas de anos esperando formar um merecido e confortável colchão onde pudéssemos descansar os alquebrados ossos da velhice. Nisso, é bom lembrar que não basta alardear boas intenções, mas as praticar como consta no seu Código de Ética:

“3.4 Promoveremos a transparência, a equidade, e a boa-fé nas relações negociais e institucionais e com os participantes assistidos.”

De minha parte, tenho alertado a nossa Caixa com destemor para o abuso incurso no trato com os participantes idosos. Me reporto sobremaneira ao atendimento dispensado em relação ao Empréstimo Simples, ponto nevrálgico da questão. Posto que, ao lhes negar igualdade nos valores, prazos e taxas contratuais, incorre em patente discriminação cerceando a igualdade de tratamento e ferindo a dignidade.

A propósito, aquela Lei 10.741, de 1º/10/2003, enquadra esse comportamento como passível de punição:

“Constitui crime:

 Art. 96. Discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte, ao direito de contratar ou por qualquer outro meio ou instrumento necessário ao exercício da cidadania, por motivo de idade.”

Denunciado o fato sob o peso da Lei, a PREVI desconversou:

“Não se trata de discriminação, mas o resultado de sérios estudos técnicos com o objetivo de proteger a totalidade dos beneficiários dos planos, garantindo o que é fundamental, o equilíbrio financeiro e atuarial do plano para o pagamento de benefícios aos associados.”

“Dessa forma, são efetuados estudos técnicos atuariais que devem demonstrar a convergência entre as hipóteses biométricas, demográficas, econômicas e financeiras às características da massa de participantes e assistidos e também do plano, além da hipótese de taxa real de juros e a taxa de retorno real projetada para as aplicações dos recursos garantidores do plano de benefícios.”

Quanto a este último arrazoado, reputo como blablabá inconsistente que menospreza a nossa inteligência e corrobora o vício de não ligar para as Leis do País. Assim agindo, acresce o fato de que não se dá ao cuidado de esconder o tratamento desigual que pratica acima da Lei, à luz de confissões irrefutáveis como as que guardo embutidas nas respostas tratadas anteriormente:

 “...o prazo de concessão foi escalonado de acordo com a idade dos associados, justamente para reduzir o risco dos empréstimos aos participantes mais idosos e não sobrecarregar o FQM.”

 “O prazo mínimo continua a ser de 12 meses. O prazo máximo para participantes com idade até 77 anos é de 120 meses. Entre 77 e 83 anos, o prazo decresce a cada mês. Por exemplo, um mutuário com idade de 77 anos e 1 mês terá prazo máximo do Empréstimo Simples de 119 meses. Passado mais um mês, o prazo irá diminuir para 118 meses e assim sucessivamente. Para mutuários a partir de 84 anos, o prazo máximo será de 36 meses.”

Por tudo isto, sem querer ferir o respeito devido aos Dirigentes, me insurjo mais uma vez contra uma lei “maior” de uso privado, indevidamente legitimada e aplicada ao destemor da impunidade. Pois para ela, PREVI, somente seus fabricados regulamentos merecem ser respeitados com força de Lei - no que parece concordar o Judiciário, haja vista a espantosa quantidade de ações judiciais em trâmite envolvendo nome e postura, e onde são gastos rios de dinheiro para alimentar infinitas protelações de desfechos presumíveis. Mais barato seria validar os pleitos – repondo direitos maculados e resgatando a dignidade dos assistidos.

No contexto, a indignação que me move decorre também dos danos sofridos pelos idosos na questão financeira de modo geral, e que são muitos. Inclusive com a supressão de reajustes condizentes afetados. Isso se dá em razão de impositiva troca de um razoável índice para reposição inflacionária por outro pior, resultando em perda da ordem de 40% desde a mudança, em maio de 2004. Tudo arrumado ao desamparo da Lei, mas “legitimado” pelos regulamentos da PREVI.

Finalizando este desabafo, e por conta da dignidade ferida, peço a Deus que olhe por nós, idosos, e abrande os corações de quem mereça ser o Seu instrumento.

Assim seja!

Curitiba (PR), 20 de setembro de 2020.

 

 

Marcos Cordeiro de Andrade

- 81 anos –

Aposentado do Banco do Brasil

Matrícula nº 6.808.340-8

Participante da PREVI desde 15/05/1962

Presidente da AAPPREVI

cordeiro@marcoscordeiro.com.br

 

Criações do autor:

- ASSOCIAÇÃO: https://www.aapprevi.com.br   - (10/02/2010)

- REVISTA: https://www.aapprevi.com.br - (22/06/2012)

- BLOG: https://www.previplano1.com.br - (26/09/2009)

- BLOG:https://www.canael.com.br - (20/11/2009)


quinta-feira, 10 de setembro de 2020

ES - ESPERANÇA MORTA - Resposta da PREVI

 

Nº de Atendimento: 82762521 (10/09/20)

e-mail: cordeiro@marcoscordeiro.com.br

Marcos,

A Previ tem por missão "Garantir o pagamento de benefícios a todos nós, associados, de forma eficiente, segura e sustentável" e para isso serve-se dos investimentos e dos recursos aportados por nós participantes, para honrar com esse compromisso.

Assim, as operações com participantes (empréstimo simples e financiamento imobiliário) são formas de diversificação dos investimentos e tem importante papel na rentabilidade das carteiras dos planos, com vultosos valores investidos e, como tal, necessitam apresentar o retorno esperado para não expor a perigo a nossa missão.

Dessa forma, são efetuados estudos técnicos atuariais que devem demonstrar a convergência entre as hipóteses biométricas, demográficas, econômicas e financeiras às características da massa de participantes e assistidos e também do plano, além da hipótese de taxa real de juros e a taxa de retorno real projetada para as aplicações dos recursos garantidores do plano de benefícios. Não se trata de discriminação, mas o resultado de sérios estudos técnicos com o objetivo de proteger a totalidade dos beneficiários dos planos, garantindo o que é fundamental, o equilíbrio financeiro e atuarial do plano para o pagamento de benefícios aos associados.

Com relação à elevação da margem consignável, informamos que a Previ está subordinada ao CNPC (Conselho Nacional de Previdência Complementar), não havendo dessa forma, amparo legal para embasar aumento da margem conforme recomendação do CNPS (Conselho Nacional de Previdência Social), vinculado ao INSS.

A referida recomendação foi para que a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia encaminhe proposta legislativa para ampliar a margem de crédito

consignado, que vai beneficiar aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

E, finalmente, sobre a redução da taxa de juros lembramos que as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) atuam em um segmento altamente regulamentado, devendo seguir fielmente as determinações legais, sob constante vigilância da Previc (Superintendencia Nacional de Previdência Complementar), o órgão fiscalizador. Posto isso, informamos que a taxa de juros praticada por uma EFPC em suas operações com participantes é assim estipulada pela Resolução CMN 4661 de 25/05/2018:

Subseção V - Das Operações com Participantes

§ 4º Os encargos financeiros das operações com participantes devem ser superiores à taxa mínima atuarial, para planos constituídos na modalidade de benefício definido, ou ao índice de referência estabelecido na política de investimentos, para planos constituídos em outras modalidades, acrescidos de taxa referente à administração das operações e de taxa adicional de risco.

Esperamos assim ter elucidado as questões levantadas por você.

Permanecemos à disposição.

Atenciosamente,

Gerência de Atendimento

PREVI


quarta-feira, 2 de setembro de 2020

ES - Esperança renovada

 

ES – Esperança renovada

Ao Exmo.

Diretor de Seguridade da PREVI.

Wagner Nascimento

Prezado Senhor,

Ao tempo em que o parabenizo pela investidura no responsável e difícil cargo de Diretor de Seguridade da PREVI, tomo a liberdade de ocupar seu tempo em primeira mão, trazendo repetitivo pedido de atenção à Classe que represento.

Sou Presidente de uma Associação que congrega hoje 8.482 associados, integrantes do contingente de assistidos da PREVI na condição de aposentados e pensionistas.

Desde a fundação da AAPPREVI, de que cuido, me preocupo sobremaneira com o tratamento dado pelo nosso Fundo aos assistidos, eu entre eles, notadamente no que diz respeito às carências financeiras atingidas.

Desta feita, tratando apenas da sua Área, encareço deitar seus esforços no sentido de bem cuidar das anomalias existentes no bojo dos parâmetros de concessão do ES, cujos regulamentos ofendem e discriminam os tomadores mais idosos - à revelia do que preconiza a LEI No 10.741, DE 1º DE OUTUBRO DE 2003. (Estatuto do Idoso), minimamente no Artigo seguinte, além de outros:

Constitui crime:

 Art. 96. Discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte, ao direito de contratar ou por qualquer outro meio ou instrumento necessário ao exercício da cidadania, por motivo de idade:

Ocorre que o acesso ao ES da PREVI pelo idoso guarda limitações em relação aos tomadores de faixas etárias mais baixas – sem outra explicação além da comprovada discriminação intencionalmente direcionada aos mais velhos, ao lhes negar igualdade nos valores, prazos e taxas contratados. Isto lhes causam impedimentos que simplesmente os alijam do direito à igualdade de tratamento preconizada no site da PREVI: A Instituição trabalha de forma a contribuir para a qualidade de vida dos associados e de seus dependentes”.

Todavia, além de incluir em sua pauta de trabalho o saneamento dessas irregularidades, o nobre Diretor tem à mão uma ferramenta de ordem legal para usar de imediato. Trata-se da elevação da Margem Consignável dos atuais 30 para 35%, como foi recomendado ao INSS em benefício dos seus assistidos. A notícia foi publicada hoje no Jornal AGORA S. Paulo:

“O CNPS (Conselho Nacional da Previdência Social) recomendou a ampliação em cinco pontos percentuais do crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) durante o estado de calamidade pública ocasionado pela pandemia de Covid-19.”

“...a proposta é para que a margem consignável –parte do valor do benefício que pode ser comprometida com a parcela descontada diretamente do salário– aumente dos atuais 30% para 35%.”

“A decisão tomada pelo conselho na última quinta-feira (27) foi publicada nesta segunda-feira (31) no "Diário Oficial da União".

Também, “em março, o CNPS aprovou a redução do teto dos juros do empréstimo consignado em favor dos beneficiários”. “A taxa máxima cobrada pelo empréstimo com desconto no benefício passou de 2,08% para 1,80%.”

Essas recomendações, confiamos, necessitam urgentemente alcançar os regulamentos do ES, agora sob sua autonomia como Gestor e a quem entregamos nossas esperanças de sobrevivência financeira - ao amparo da Lei Maior, que reza: Todos são iguais perante a Lei...

Atenciosamente,

Marcos Cordeiro de Andrade

- 81 anos -

- Matrícula nª 6.808.340-8 -

cordeiro@marcoscordeiro.com.br

 presidente da AAPPREVI

www.aapprevi.com.br  


terça-feira, 14 de julho de 2020

ELEIÇÃO PREVI 2020 - Como votei



Eleição PREVI 2020 – Como votei
Marcos Cordeiro de Andrade

Caros colegas,

Na inocente lógica infantil, optar por uma dentre duas coisas possíveis é resolvido com uma simples brincadeira. Basta fechar os olhos e recitar a parlenda “Uni, Duni, Tê” para encerrar o assunto.

Infelizmente, no mundo adulto isso não se aplica, como no caso em que estamos envolvidos com a Eleição PREVI 2020. Há que se pesquisar currículos enfatizando capacitação, influências partidárias e correntes ideológicas do mundo acadêmico de origem, de preferência que se coadunem com os nossos ideais democráticos.

Obedecendo a esses parâmetros, tive a felicidade de contar com o trabalho desenvolvido para a CHAPA 2 como se fora moldada sob minha encomenda.  “A CHAPA MAIS UNIÃO é composta de vários grupos, dentre os quais o Grupo Mais, MSU, Grupo Otimistas, AFABB DF e outros apoiadores”.

Coincidentemente, o resultado não difere daquele que me coube obter.
Conheça e compare as duas Chapas:


Eu VOTEI na CHAPA 2 – MAIS UNIÃO.

Marcos Cordeiro de Andrade
Aposentado – 81 anos
Participante PREVI desde 15/05/1962
Matrícula nº 6.808.340-89

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Eleição PREVI 2020 - Eleitor incrédulo


Eleitor incrédulo, em 08 de maio de 2012

Marcos Cordeiro de Andrade

Aviso importante: Poderia ter escrito esse texto hoje, com ligeiras modificações. Mas o fiz em maio de 2012 como aí está. A reedição serve de preâmbulo à escolha da atual CHAPA 2 – Mais União (13/07 a 27/07/2020).

Caros colegas,

1962. Há exatos 50 anos entrei na vida da PREVI. No dia 15 de maio daquele ano, ao tomar posse no Banco do Brasil como concursado tive um dia cheio de tarefas protocolares a cumprir. Entre a apresentação ao contador, subgerente à época, e o final do expediente, fui submetido ao juramento à CIC, saudável e saudoso trote, e assinatura de vários papéis, dois dos quais considero os mais importantes contratos da minha vida: as propostas de adesão à CASSI e à PREVI. E mais um terceiro, que até agora somente me serviu para mostrar o caminho do endividamento – a CAPEC, fonte do Empréstimo Simples.

Desde então encarei eleições sucessivas para escolha de Dirigentes da PREVI por toda essa metade de século. No início, e até certo ponto, acompanhando o voto dos veteranos sem muita convicção do que fazia, por inexperiência e desconhecimento de causa. Depois, mordendo o cabresto, adquiri vontade própria e passei a votar conscientemente e, posso dizer, sem desperdiçar nenhuma escolha.

Mas veio o tempo de mudanças em que votar deixou de ser sinônimo de vontade para se transformar em necessidade. E aí o bicho pegou. Foi a partir de quando a ganância se apossou das duas partes envolvidas nessas eleições. E até hoje tanto votado como votantes engalfinham-se na luta pelo poder. De um lado, o objeto foi dominado pela voraz fome de divisas do Patrocinador. Do outro, a gana com que os eletivos se digladiam na busca do voto – e de empregos - torna a disputa num ato nojento.

Muito se diz que os Eleitos da PREVI não têm poder de mando, nada decidem e, consequentemente, nada fazem. A desculpa é que foi abolida a figura do corpo social, alijado da necessidade de ser consultado para aprovação – ou negação – de mudanças vitais. Somado a isso nos empurram o voto de qualidade como justificativa para a subserviência condenável.

Validado ou não, esse nhém, nhém, nhém constante soa como choro de criança birrenta que não quer fazer o dever de casa. Mesmo impedidos de peitar os seus patrões os eleitos não são forçados a permanecer no cargo. Nem têm mordaças impostas à força. Todavia, com essas desculpas se apegam aos cargos como rêmoras comensais trocando convenientes gentilezas, e como vacas de presépio permanecem a concordar com tudo. Nisso justificando assertivas: eu te limpo o dorso e me dás comida; mantenho-me calado e garanto meu gordo salário extra. E assim nada fazem. E não gritam. Nem sussurram sequer. Nem ao menos movem uma palha, pois se para o amo está bom assim, para eles melhor ainda com a garantia de um fim de velhice tranquila, de burra cheia, à custa dos “seus eleitores”.

No momento estamos no olho do furacão de mais uma eleição, pródiga de chapas concorrentes a nos atormentar o sossego. No saudoso ano de 1962 comecei a jornada com chapas únicas, apresentadas pelo bom senso, depois duplas, para contemplar escolhas. E foram aumentando em número pela necessidade de satisfazer políticas e politicagens. Hoje já são seis (*) na disputa. Também para nada fazer, será?

Provavelmente sim, respondo, pois as pífias plataformas apresentadas seguem sempre a mesma linha. Só se vê promessas. Promessas e mais promessas antecedidas da condicional SE. Se eu for eleito farei isso e aquilo. Se nossa chapa vencer, faremos mudanças. Se continuarmos mandando a coisa vai melhorar. Se entrarmos, limparemos a casa. E tudo será maravilhoso.

Assim sendo, votem todos com a certeza de que lhes darão o bem bom. E que continuarão sendo ludibriados pelos que elegerem. Pois a experiência nos diz que eles seguirão a mesma postura de serviçais que entram magricelas na casa do patrão e saem pançudos, bem nutridos da mesa farta depois de cumprir as tarefas corriqueiras e simples – manter a mansão em ordem e polir a prataria e os cristais com o uso diário das mordomias alimentadas. Mas sem tirar nada do lugar porque o patrão é cioso conservador e não permite mudanças. Mas entrem, cumpram direitinho o seu mandato que, ao sair, terão estendido à porta o tapete vermelho das sinecuras ofertadas pelo bom comportamento – por não terem bulido nos mimos do patrão. Deixando a casa pronta para receber os magricelas da hora que virão ser cevados no chiqueiro de luxo.

Mas desta feita o meu voto não terá. A não ser que alguém mude o discurso. Para fazer jus à minha escolha será preciso algo mais que simples promessas - quero certezas. E não exijo muito. Basta que uma meia dúzia de seis se una e mostre coragem de gritar. De cobrar. De exigir. De ser capaz de me convencer que, de fato, podem e querem fazer. E que farão.

É suficiente que se perfilem em manifesto contundente exigindo, já agora, postura comportamental independente dos que saem. Digam-lhes o que querem que façam ainda nos cargos ocupados porque há tempo.  Disponham o rosário de necessidades prementes a ser amparadas e que são muitas. Mas podem começar com as mais elementares: a resolução do endividamento opressivo dos aposentados e pensionistas; o realinhamento do Plano Um; a reforma do estatuto; a troca do índice de reajuste para um mais condizente com a realidade inflacionária; a reposição das perdas dos benefícios; o enquadramento da CARIM com tratamento humano aos seus mutuários; a uniformidade de tratamento aos assistidos; a elevação do percentual do benefício das pensionistas; atendimento justo aos Pedevistas e outros aviltados; a reparação isonômica da destinação do “renda certa”; o atendimento aos pleitos judiciais, etc. etc. e etc.

Se essa declaração conjunta vier de qualquer das chapas oposicionistas terá o meu voto. E, com absoluta certeza, dos milhares de insatisfeitos com o que hoje existe o que, obviamente, lhe dará a vitória. Mas há uma condição. Que no rodapé do manifesto conste o compromisso de que, se até a metade do mandato as promessas de campanha não forem cumpridas todos renunciarão aos cargos, juntamente com seus suplentes para proporcionar novas eleições que lhes dê substitutos honrados, como não conseguiram ser.

Assim, darei nome à chapa a merecer o meu envelhecido e exigente voto. Caso contrário, esqueçam, pois, como se diz na minha terra, quem quiser ser grande sem trabalhar que nasça em paul.

*(agora apenas duas, novamente).

Curitiba (PR), 08 de maio de 2012
.
Marcos Cordeiro de Andrade –
Associado PREVI desde 15/05/62
Matrícula nº 6.808.340-8
cordeiro@marcoscordeiro.com.br 

domingo, 5 de julho de 2020

Suspensão de parcelas - Hipocrisia e Soberba



HIPOCRISIA
Marcos Cordeiro de Andrade

Costumeiramente, todo final de ano surge um sem número de pedidos para suspensão de parcelas do ES da PREVI. E ela nem sempre nos atende. Ocorre que esses pedidos nada mais são do que a constatação da má remuneração de grande parcela dos participantes, em consequência da corrosão sistemática dos benefícios previdenciários.
Para esses assistidos o ES já foi uma tábua de salvação, quando os parâmetros para concessão permitiam a renovação do mútuo a cada seis prestações pagas, para todos. Isso se tornou rotina e satisfazia aos endividados, funcionando como reforço dos proventos até que os tecnocratas do Fundo encontraram meios de dificultar essas renovações - engessando prazos de acordo com a evolução da faixa etária na contramão do bom-senso. Significando dizer que a equação formada estabelece uma cruel inversão de direitos: quanto mais velho o mutuário menos amparo usufrui por conta do ES, pouco importando que isso fira o Estatuto do Idoso. Note-se que a PREVI alardeia que o ES foi criado para melhorar a qualidade de vida dos seus participantes.
Agora, mais que em qualquer época, ressurge com força os pedidos de suspensão de mensalidades, justamente porque, em atitude espontânea, a PREVI suspendeu a cobrança das prestações de maio e junho recém passados. E há expectativa de que a providência seja renovada, uma vez que a motivação repousou sobre os efeitos da pandemia que nos atinge e que, desgraçadamente, não dá indicativos do esperado arrefecimento dos seus efeitos maléficos.

A par do que aí está, na delicada conjuntura presente, nos entristece saber que as pessoas que precisam do amparo emergencial prestes a se positivar conviva com quem tripudia dessa necessidade inconteste. É o caso de se implorar que, se não precisam de ajuda externa que agradeçam a Deus pelo privilégio de que são portadores. E se valham da condição para ajudar a quem precisa dando um pouco do que lhes sobra, mas, se não se dispuserem a renunciar de parte do seu rico dinheirinho, saibam que ficando calados também contribuirão para minorar o sofrimento do seu próximo (sem gastar um tostão sequer). Quando existe a esperança de que a PREVI se sensibilize, em nada contribui alguém vir a público dizer que não há necessidade de suspender mensalidades do ES, argumentando com seu exemplo único como “se todos fossem iguais a você”.
Taxativamente, entendo que os bafejados pela sorte não devem se posicionar condenando os menos afortunados, fechando os olhos para os percalços vivenciados por estes. De se notar que nem todos os aposentados do BB fazem jus às previsões do início da carreira, quando se lhes diziam: “parabéns, você está feito na vida”. Os que hoje assumem postura que corrobora essa premonição esquecem que o mundo é feito de diferenças sociais. Esquecem que grande parcela de funcionários do BB marcou passo no Interior perdendo oportunidades de ascensão funcional, o que culminou em aposentadorias irrisórias. Esquecem também das pensionistas que amargam pensões com rebate de 40% do salário do provedor, arcando com 100% das responsabilidades deixadas por ele. Esquecem dos que se depararam com infortúnios vários no decorrer da existência. Assim como esquecem daqueles que têm filhos e/ou netos às suas expensas por terem perdido os empregos em razão da pandemia que aí está. Bem como esquecem dos que, pela vontade Divina, têm filhos portadores de deficiências. Por conseguinte, é válido inferir que os propagandistas da máxima de que o ingresso no BB os carimbou como estando “feitos na vida” não é abrangente. Mesmo assim, nada garante que gente da espécie sustente essa postura sem que ela reflita egoísmo latente. No entanto, é inadmissível que a insensatez atinja o ponto de se negar amparo a um necessitado. Como igualmente é plausível acreditar que põem força no que dizem querendo demonstrar honestidade de propósitos. Porém esses arroubos não lhes trazem benefício algum, mas, ao contrário, minam os anseios de muitos necessitados. Há até quem diga que a situação criada pela pandemia em nada alterou sua rotina financeira, o que é difícil de acreditar. É bazófia. Ou é vontade de aparecer a qualquer custo. Também, se posicionar perante a PREVI como exemplo a ser considerado em prejuízo de outrem é negar o pão a quem tem fome, pois “mais ajuda quem não atrapalha”.
Sem exagero algum, essa concessão cairia como um bálsamo sobre as feridas do endividamento com o ES, impossível de conter. Nesse entendimento, e sem querer ser piegas, mas com intuito de dividir minhas lágrimas com quem as tenham abundantes, tomo a liberdade de reproduzir relato que me chegou ontem, esperando que os cabeças pensantes da PREVI atentem para seu significado:

“Eu, particularmente, não consegui suspender as parcelas de meu empréstimo, pois estava confinado, sem acesso a informações. Soube da suspensão, somente dia 01 de maio e o prazo tinha sido até 30 de abril. Enviei um e-mail para a PREVI, contando a minha situação, mas não aceitaram, alegando que o prazo tinha sido até 30 de abril. Depois, enviei um e-mail para a Dayse, contando a minha situação e pedindo o e-mail do presidente da PREVI; ela informou-me que não tinha o e-mail da presidência. Depois, enviei um e-mail para a ANABB aqui no (...), pedindo sua intervenção, no sentido de suspender as parcelas de meu empréstimo e, até agora, nada. Enviei cópia do e-mail para a ANABB em Brasília e nada; enviei cópia do e-mail para o e-mail dos ASSOCIADOS PREVI, atenção do Marcel Barros e nada.
Qual a minha situação: o valor de minha aposentadoria é pequeno e, para complementá-la, sou corretor de seguros e de imóveis. Tenho uma filha, que tem três filhos, de três pais diferentes e nenhum paga pensão alimentícia, pois são uns irresponsáveis. A minha filha mora comigo, juntamente com seus três filhos e, devido à pandemia, ficou sem trabalho e sem ganho, pois é autônoma. Com isso, a despesa ficou toda na minha costa, o que tem me tirado o sono e a minha tranquilidade. Imagine você, sustentar uma família de seis pessoas - eu, minha mulher, minha filha e meus três netos -, pagando água e luz de quase R$ 1.000,00, supermercado, transporte, colégio, vestuário, saúde, etc. Para quem ganha muito - como muitos colegas aposentados -, é fácil, mas para quem ganha pouco, é muito difícil.
Abraços fraternos para todos.”

Relendo esse desabafo, custo a crer na existência de quem faça da soberba uma virtude e não se preocupe em aliar esse conceito à hipocrisia.

Desse modo, alguém precisa incutir na cabeça dos insensíveis os pontos cruciais que envolvem uma esperada suspensão de mensalidades do ES, porque a pleiteada providência tem caráter opcional - somente será beneficiado (ou prejudicado) quem manifestar o interesse.

Comecemos por dizer que essa é uma dívida impagável com recursos próprios e em circunstâncias normais, posto que, para quem chegou ao limite do empréstimo a liquidação enfrenta montante muito elevado e para a maioria dos tomadores somente será honrada com o Seguro por morte em razão da idade. Aqui vale argumentar que as prestações suspensas serão projetadas para o final do prazo, obviamente acrescidas à dívida e, na maioria das vezes o devedor morrerá antes de liquidar todas as parcelas, mês a mês (a não ser que tenha descoberto o elixir da juventude). Para sua tranquilidade, ocorrerá a liquidação com seu próprio dinheiro – antecipado na forma do FQM. Não haverá calote e todos serão felizes: a PREVI receberá o dinheiro emprestado; o mutuário partirá em paz, sem a dívida do ES e os seus herdeiros não arcarão com esse ônus.

Curitiba (PR), 05 de julho de 2020.

Marcos Cordeiro de Andrade
Aposentado – 81 anos
Matrícula nº 6.808.340-8

sexta-feira, 3 de julho de 2020

PREVI - Suspensão não confirmada



RESPOSTA DA PREVI – Lamentável

03/07/20
Nº de Atendimento: 82685943
e-mail: cordeiro@marcoscordeiro.com.br


Marcos,

Em atenção a sua solicitação, informamos que não há previsão de suspensão das próximas prestações do Empréstimo Simples.

Atenciosamente,

Gerência de Atendimento
PREVI


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Data: 01/07/2020 19:17:02
Assunto: Empréstimo Simples
Tipo: Solicitação

Mensagem:
As medidas de cunho material e profiláticas adotadas pelas autoridades para minimizar os efeitos da Covid 19 entre nós estão sendo cuidadas e renovadas (ou aprimoradas). A AAPPREVI, em boa hora se fez presente em auxílio aos devedores do ES com a suspensão das mensalidades de maio e junho. Como a pandemia continua seu caminho devastador, sem dar mostras de arrefecer esse comportamento, esperamos que a PREVI acompanhe a rotina de providências paralelas e renove a benfazeja suspensão consumada, levando em conta que, segundo o próprio FUNDO:
¿A medida tem como objetivo ajudar na preservação do fluxo de caixa dos associados, tanto do Plano 1 quanto do Previ Futuro, e atenuar possíveis impactos negativos que os participantes e seus familiares possam sofrer no orçamento devido à pandemia do novo coronavírus¿.
Assim sendo, tomo a liberdade de perguntar quando o esperado anúncio será veiculado, providência essa que abreviará os efeitos da ansiedade que atinge a todos os envolvidos, já bastante afetados pelos males inerentes ao isolamento forçado a que estamos submetidos.
Curitiba (PR), 01 de julho de 2020.
Atenciosamente,
Marcos Cordeiro de Andrade
Matrícula nº 6.808.340-8


Matrícula: 6808340
Nome: MARCOS CORDEIRO DE ANDRADE
DDD-TEL: 41 Telefone: 30450370
E-mail: cordeiro@marcoscordeiro.com.br