domingo, 30 de abril de 2017

A culpa não é do Mordomo - Nem do Aposentado



A CULPA NÃO É DO MORDOMO – NEM DO APOSENTADO
Marcos Cordeiro de Andrade
Curitiba (PR), 29/04/17.
Caros colegas,

A negatividade absoluta representada pelo “NÃO” é um fator assustador para quem deseja manter-se ajustado à condição de vida abraçada. Ainda mais quando essa condição envolve o dia a dia determinado pela aposentadoria.

Vale lembrar que o vocábulo aposentadoria comporta vários sinônimos. Mas nenhum deles espelha melhor o significado senão aquele registrado a seguir:

“O termo aposentadoria ou reforma refere-se ao afastamento remunerado que um trabalhador faz de suas atividades após cumprir com uma série de requisitos”.

Todavia, e lamentavelmente, mais uma vez as redes sociais focadas em nossas Caixas culpam o aposentado pelo fracasso da recente campanha do NÃO avalizada.

De notar o fato de que a culpabilidade imputada é enfatizada pela estatística do percentual dos votantes neste pleito – e nos demais por extensão.

Mas será do aposentado a tarefa de votar para corrigir impropriedades apontadas no seio das suas Caixas?

Se já não bastassem os encargos familiares, querem também que ele se ocupe de fiscalizar o trabalho de quem ocupa cargos remunerados – sem o seu voto.

Cabe ressaltar que os aposentados oriundos do Banco do Brasil, hoje na faixa etária dos 60/90 anos, são de uma época onde o computador não ocupava espaço em suas vidas. E contam-se em números pequenos aqueles que se assenhoram da manipulação desse instrumento. Mesmo assim, se tratam dos que habitam grandes Cidades ou que tenham desenvolvido interesses próprios com essa exigência. Isso explica o alheamento condenado.

Na realidade, nisso tudo o aposentado é um destacado cumpridor do papel escolhido. Ao optar pela aposentadoria, sopesadas as consequências, assumiu a postura que lhe é devida e a mantém até os dias atuais, pois, sem descuidar dos compromissos assumidos, manteve-se fiel à CASSI, à PREVI e ao Banco, nessa ordem. Às Caixas entregou para serem cuidados os destinos da Previdência e da saúde (sua e dos dependentes) ao continuar honrando contribuições. E ao BB permaneceu fiel como o gerenciador dos minguados recursos atrelados aos benefícios previdenciários.

Com isto, positivamente sua parte está sendo exercida sem fugas ou escusas. A propósito do quê, entende não ser sua função fiscalizar o trabalho dos gestores responsáveis pelo conjunto BB/CASSI/PREVI. Essa tarefa é pertinente aos normativos que os regem, que sempre serviram em épocas passadas, enquanto na ativa.  Por que, então, não serviriam agora, depois de esparsas modificações havidas?

Portanto, ao invés de atormentar o aposentado com cobranças infundadas, procurem reverter a estatística em que se louvam. Abordem o pessoal da ativa, que decide todos os pleitos na abrangência de que se trata. Trabalhem pela elaboração de chapas limpas para ocupação de cargos, possibilitando atuações honestas e produtivas sem margem para desvios de conduta. Incentivem as Associações exigindo o cumprimento dos preceitos estatutários.  Divulguem o lado produtivo cuidado pelos eleitos. Publiquem entrevistas sérias envolvendo essas pessoas, mais os gestores das Clini-Cassi e os médicos credenciados. Busquem conhecer suas carências e as causas das falhas apontadas. Aproximem-se dos Gestores máximos das Caixas e do Banco em reuniões requisitadas para permuta de conhecimentos. Ocupem suas Redes com esses tópicos. Afinal, são gente como a gente, via de regra saídas do nosso meio. Por certo não se furtarão em ajudar.

Ao contrário, por que somente tratam de assuntos catastróficos como má gestão, mal atendimento, descredenciamentos, destituições, nomeações irregulares e assuntos que tais?

Por que as manifestações de desagrado ocorrem apenas em época de votações?
Por quê, ao final e ao cabo, o aposentado é apontado como responsável por fracassos eleitorais? Será possível ganhar qualquer votação se todos eles votarem? Não, pelo que se vê.

É sintomático o exemplo tirado do pleito encerrado ontem, não muito diferente dos demais já ocorridos. Onde é fato inconteste que os ativos decidem qualquer disputa do interesse do Banco. Porque este, como é sabido, tem na área de comunicação o fator decisivo para influenciar os funcionários em atividade – votantes quase que compulsoriamente.

Então?

Que falta faz um punhado de aposentados que resolveu se encolher em sua concha protetora para vivenciar a velhice? Não se justifica querer obrigá-los a fazer cursos de informática, adquirir apetrechos caros para saber das notícias pela |Internet (nem sempre promissoras) envolvendo suas Caixas. Não é justo obrigá-los a exercer o direito de voto como se fora em pagamento de uma condenação, pois, se para tal terão que sair do conforto do lar a contragosto – coisa que não é exigida a ninguém mais. Ou querem que eles abdiquem da autoridade adquirida na formação da família e, agora, confessem ignorância e dependência para recorrer aos “préstimos” de netos adolescentes – roubando-lhes parte do tempo que usam no manuseio da parafernália informática - para, ao término, se inteirar de coisas que, no fundo, preferem ignorar. Também, e a bem da verdade, ao aposentado tudo que lembre obrigação fora do corriqueiro, no sentido impositivo, soa como abominável palavrão. Pelo que já fez, pelo que já sofreu, e pela escolha da inatividade como estilo de vida, mereceria mais respeito daqueles que, com uso da mídia informatizada, se acomodam como censores na condenação do seu “querer viver sossegado”.

Por tudo isto, entendam que, se o culpado por esse “crime” não é o MORDOMO, também muito menos é o APOSENTADO.

Mesmo assim, continuem vigilantes, mas, por favor, NOS DEIXEM EM PAZ.

Marcos Cordeiro de Andrade

Aposentado matrícula nº 6.808.340-8

4 comentários:

Marcos Cordeiro de Andrade disse...


Colega Marcos Cordeiro, inicialmente é importante dizer que sou aposentado e me enquadro na faixa etária a que você se referiu, ou seja, dos 60 aos 90 anos. Permita-me discordar de teus argumentos para isentar-nos da responsabilidade. Nos aposentamos só dos serviços do BB, visto que da nossa vida, do nosso Plano de Saúde e do nosso Plano de Previdência não nos aposentamos e temos obrigação de acompanhar o seu funcionamento.


"Portanto, ao invés de atormentar o aposentado com cobranças infundadas, procurem reverter . . . , abordem o pessoal da ativa . . ., trabalhem pela elaboração de chapas limpas . . . , incentivem as Associações . . ., divulguem o lado produtivo . . ., publiquem entrevistas sérias envolvendo . . . , busquem conhecer suas carências . . ., aproximem-se dos Gestores máximos das Caixas e . . ., ocupem suas Redes com esses tópicos . . . , "


Procurem, abordem, trabalhem, incentivem, divulguem, publiquem, busquem, aproximem-se e ocupem . . . Quem? Os outros? Só porque estamos aposentados vamos transferir a responsabilidade aos outros? Não colega, todos somos responsáveis. Sempre.


É o que penso


Flavio da Rosa
São Leopoldo - RS



Em Domingo, 30 de Abril de 2017 20:25, "'Marcos Cordeiro' marcos@previplano1.com.br [REDE-SOS]" escreveu:

Marcos Cordeiro de Andrade disse...


Zilton Tadeu 1 de maio de 2017 22:35
A culpa é NOSSA, que elegemos os VELHACOS da CASSI... A culpa é NOSSA, que elegemos os FARISEUS das ASSOCIAÇÕES DE APOSENTADOS E FUNCIONÁRIOS que não usam o nosso dinheiro, que confiamos a ELLES para promover campanha sistemática contra esses FISIOLOGISTAS DINHEIRISTAS QUE NÃO NOS DEFENDEM... Sou aposentado, tenho 70 anos, tenho computador, tenho celular, TENHO LADO NA POLÍTICA E FAÇO POLÍTICA... por acaso serei CULPADO?!.. Se não sou, e o CULPADO somos NÓS, então que somos NÒS, os CULPADOS... NÓS?!!!... ELLES?!!!... Quem CORDEIRO???!!!... DÁ NOME AOS BOIS!!!...

Marcos Cordeiro de Andrade disse...

Meu caro Marcos Cordeiro,

Receba os meus mais sinceros parabéns pela sua excelente Crônica "A CULPA NÃO É DO MORDOMO - NEM DO APOSENTADO", expressando a mais pura verdade dentro do tema ali abordado. Novamente PARABÉNS. Por oportuno, faço uma singela análise do Resultado da Votação, quando a CASSI, através de nota publicada em 28/04/2017, com o título "Relatório Anual CASSI é aprovado pelos associados" (anexo), cujo vocábulo "aprovado", deveria ter sido substituído por "REPROVADO". Vejamos:
A) - Para um universos de 84.439 votantes, 50.462 = 59,76 votaram NÃO (14.104); BRANCO (14.401) e ou anularam seus votos com NULO (21.957). Apenas 33.977 (40.24%) disseram SIM;

B) - Observem que a concentração da reprovação do referido Relatório, (68.153 = 80,71%), ficou por conta dos colegas da ATIVA, que mesmo votando compulsoriamente, segundo notícias da Rádio Corredor, não se dobraram à vontade renitente e tinhosa do rei, verdadeiro administrador mandatário de nossas CAIXAS (PREVI e CASSI).

E como analiso e penso. Cordialmente, BEZERRA - participante do Grupo Meia Dúzia de Três ou Quatro - 81 anos de idade - posse no BB em março/1957 - aposentado em outubro/1992.

JOSE ADMIR DE PAULA DE PAULA disse...

Sr. Marcos,

Parabéns pelo belo texto de vossa autoria.
E por falar em eleições, peço permissão ao distinto colega para me utilizar desse seu precioso espaço para perguntar a D. Cecilia sobre o seu próprio paradeiro, já que seu blog encontra-se ainda em manutenção. Entendendo que somos eleitores dela, temos o direito de saber o que ela está fazendo em nossa defesa lá na Previ, ou pelo menos, se está viva.
Um abraço.