sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sob a Espada de Dâmocles



Marcos Cordeiro de Andrade

Caros Colegas,
Décadas atrás, uma das carreiras mais disputadas e invejadas à disposição dos jovens em busca de emprego era a de funcionário do Banco do Brasil. Porque eram muitos os atrativos que a condição oferecia, representadas por estabilidade, amparo assistencial e possibilidade de ascensão funcional.

Rivalizando com os mais exigentes vestibulares de acesso às faculdades existentes à época, o “concurso do Banco” fazia com que poucos conseguissem lograr êxito para iniciar essa carreira, mas, uma vez aprovado, o candidato tinha pela frente um futuro promissor. Tanto que era parabenizado pelos amigos da família com simpáticas tapinhas nas costas acompanhadas de palavras quase sempre iguais: “está feito na vida” – num misto de sincero orgulho e inveja disfarçada.

Ao tomar posse no Banco do Brasil, o jovem funcionário adere de pronto a três Planos assistenciais que o acompanharão pela vida afora, na ativa e na aposentadoria – e até depois da morte. Os formulários que assina nessa significativa data lhes dão acesso pago às três Caixas tranquilizadoras PREVI, CAPEC e CASSI – por muito tempo o orgulho dos seus sócios e dependentes.

Passado o primeiro momento da assunção, com a euforia que o ato encerra, o recém-admitido assume o emprego direcionando ao novo estilo de vida a força de trabalho de que é possuído, posto que despreocupado com superados problemas assistenciais de saúde, de previdência e de seguros. A partir dai tem nas mãos as ferramentas que garantirão, a si e aos dependentes, tranquilidade por se alçar no invejável patamar de qualidade de vida alcançado com esforço próprio. Como assistência à saúde conta com um plano exemplar, a CASSI; como garantia de uma velhice tranquila na aposentadoria, está a braços com a PREVI; e, para deixar amparo financeiro depois da morte, contribui para a CAPEC.

Dotado destas três armas segue o funcionário sua trajetória como orgulhoso servidor do Banco do Brasil, bicentenária Instituição que até bem pouco tempo tinha como seu “melhor produto”, à disposição do público, o seu funcionalismo – na opinião de um antigo Presidente.

Mas, quis o destino que essas três Caixas fossem entregues a homens servis a interesses outros que não aqueles a que elas se prestam. E o desastre que por décadas se anunciou aconteceu por fim. Recentemente os aposentados e pensionistas do Banco do Brasil tiveram REDUZIDOS os seus benefícios previdenciários em 25% do contracheque. E isto, decretado em cima do que já era pouco, tornou insuportável a vida financeira dessa classe.

Para tentar sobreviver com o resultado da catástrofe coletiva, cada um ao seu modo buscou soluções que lhes permitissem suportar o martírio de modo o menos traumático possível. E muitas fórmulas foram buscadas, inventadas e praticadas. Mas nada se assemelha ao desespero de um Homem frente às negras perspectivas de continuar provendo o sustento da família com o reduzido salário, sem percorrer caminhos que sua honra não aceitaria como, por exemplo, tornar-se inadimplente.

Vendo-se diante do angustiante dilema, entre não honrar compromissos financeiros assumidos para com o  “seu” Banco e retirar dos dependentes garantias de vida digna após sua morte, eis a que ponto chegou a responsabilidade de um Homem para fazer frente à irresponsabilidade de outros.

Um Colega aposentado percorreu o caminho inverso iniciado no ato da posse no Banco, quando assinou a adesão à CAPEC, e, depois de pagar durante décadas pelo seguro de vida que pretendia deixar aos dependentes, assinou no dia 19/02/14 a carta pedindo o CANCELAMENTO TOTAL do pecúlio instituído, envolvendo TODOS os seguros porque pagou desde 08/07/1971 data da investidura como funcionário CONCURSADO do Banco do Brasil.

A justificativa para o ato, ao invés de denegrir a imagem do Colega, o enaltece pelo heroísmo do gesto, ainda mais em se conhecendo as razões que o levaram a tal extremismo:

Para conhecimento de todos, apresento cópia de documento de solicitação de cancelamento de meu pecúlio CAPEC - CARTEIRA DE PECÚLIOS, enviado à PREVI em 19.02.2014, contratado na data de minha posse no Banco, 08.07.1971, portanto há 42 anos, cujo débito é efetuado no meu contra-cheque, verba C753 - CAPEC / ESPECIAL, valor em fevereiro/2014 R$ 311,46, como forma de amenizar o trauma e descompasso financeiro sofridos pelo cancelamento do BET (Benefício Especial Temporário), e o retorno do pagamento das contribuições à PREVI.

Da minha parte, para que todos saibam o nome desse Homem angustiado, e honrado acima de tudo, mesmo sem estar autorizado eu o publico. Trata-se de JOÃO AUGUSTO DA SILVA FILHO - Matrícula: 4.743.050-8 – de Uberlândia (MG).

Tenho a certeza de que, a exemplo das tapinhas nas costas recebidas quando da posse, outras o contemplem acompanhadas com palavras de compreensão e carinho, num misto de orgulho e velada inveja pela imoladora coragem praticada.  

Todavia, se faz necessário aclarar um dado significativo. Como criminosos pelo modo de agir, dirigentes em postos chaves do Banco e da Caixa não se submeteram ao “vestibular” de acesso ao BB como o Colega João Augusto, mas, ao contrário, entraram “pela janela”. Isso explica em parte, sem justificar, a bandidagem praticada a soldo do Governo para agirem como Robin Hood ao contrário, pois tiram de pobres aposentados e pensionistas para dar ao Banco do Brasil, que, com o seu aval, faz seguidos saques ilegais na poupança de cerca de 120.000 dependentes da PREVI.

Mas é tempo de mudanças com as eleições que se avizinham. Vamos tirar essa corja do poder que se instalou nas nossas Caixas com a infalível arma do nosso voto. Hoje eles fabricam heróis. Amanhã fabricarão suicidas.
 
P.S. Esta é minha opinião particular, sem envolver a Associação que presido.
Marcos Cordeiro de Andrade - Curitiba (PR), 21 de fevereiro de 2014. www.previplanoi1.com.br .

5 comentários:

inesdelima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcos Cordeiro de Andrade disse...


Acompanhe a apresentação do Resultado PREVI 2013 pela internet

Apresentação acontece na próxima segunda-feira, 24/2, às 16h. Participantes poderão assistir a transmissão ao vivo pelo portal da PREVI.
Mais detalhes no site PREVI - www.previ.com.br

Fernando Lamas disse...

Prezado colega Marcos Cordeiro, saudações cordiais.

Essa matéria, certamente, sensibiliza a muitos que fomos atingidos, ao longo dos anos e, especialmente, pela antecipada retirada do BET, por essa política previdenciária que desassossega, justamente, na fase da vida que mais merece serenidade.
Claro que a adequada administração pessoal da vida financeira é responsabilidade intransferível.
Mas, quando se vê, pelos blogs, um contingente tão expressivo de sofrimento ou mesmo fracasso financeiro, há que se reconhecer que implicações externas, além dos desatinos pessoais, contribuíram, para esses desequilíbrios.
Além das medidas domésticas, limitadas, alternativas não faltam, para a PREVI, entre elas:
- contracheque com consignações obrigatórias, apenas e limitadas a 30% do bruto, como manda a Lei, salvo engano meu. Penso que, somente isso, já resolveria quase tudo.
- ES: boa revisão de teto e prazo, mesmo pesando mais o FPQM.
- Carim: revisão dos contratos, como no passado, para se diminuir ou, em alguns casos, até liquidar o saldo devedor. Opcionalmente, também, a renovação do Contrato, pelo valor de mercado, com crédito,para o mutuário.

Vale lembrar que as operações com os participantes são as mais rentáveis, conforme os demontrativos.

Desde que a técnica prevaleça e não a política, vejo que as soluções domésticas, sem consultas aos reguladores, são o melhor caminho, para terminar com tanto sofrimento financeiro, na melhor idade.

Grato por tudo, tenha uma boa semana e PAZ E BEM!

"Na verdade, um fruto de justiça é semeado na paz, para aqueles que trabalham pela paz."
Tiago 3,13-18.



Marcos Cordeiro de Andrade disse...

BB define pagamento da PLR nesta terça

O Banco do Brasil informou nesta segunda-feira (24) a Contraf-CUT que os funcionários recebem, nesta terça-feira (25), a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) referente ao segundo semestre de 2013. A empresa pública teve um lucro líquido de R$ 5,7 bilhões no período e serão distribuídos R$ 705 milhões para 117 mil funcionários.

Desta forma, cada escriturário recebe R$ 3.268,04 e cada caixa executivo, R$ 3.699,96. Todas as funções e salários paradigmas tiveram a proporção idêntica de redução de 44% do lucro equivalente ao resultado do 2º semestre em relação ao 1º semestre, inclusive a parcela variável do Módulo BB, relacionada ao resultado das unidades.
Fonte: site da Contraf-CUT

rafael campagnoli disse...

Notícia boa: li no site da ANAPAR que a Resolução 26 foi alterada para melhor, acredito. Pelo que entendi, os fundos de pensão poderão deixar para o final de 2014 o equacionamento de déficits, desde que as reservas matemáticas não sejam inferiores a 15%. No caso da Previ, não chegou a 2%! ou estou enganado? Agora, só depende da boa vontade da diretoria da Previ para a continuidade do BET e suspensão das contribuições.

"Excepcionalmente, os planos de benefícios que apresentaram resultados deficitários de até 15% da reserva matemática em 2013 podem apresentar plano de adequação somente no final de 2014, permitindo que as entidades recuperem sua rentabilidade ao longo do ano e cubram o déficit sem onerar os participantes e patrocinadores. Em 2013, a rentabilidade dos investimentos foi fortemente afetada pela queda no valor de mercado de títulos públicos da carteira de várias entidades e pela desvalorização da renda variável, provocando resultados deficitários. Há expectativa que esta situação seja revertida em 2014 e que déficits conjunturais sejam cobertos com o retorno dos investimentos."
Acredito que pode ser uma abertura para aliviar a nossa angústia. Espero que não esteja enganado.