Marcos Cordeiro de
Andrade
Hoje, domingo cinco de agosto, cinco
e dez da manhã. O telefone toca com insistência, o visor do bina mostra um “P”.
Atendo mesmo assim. Do outro lado voz feminina com forte sotaque nordestino dá
seu recado:
- “Prepare a grana meu filho, vai precisar de muita pra
pagar advogado. Se uma visita não calar tua boca suja antes”.
Por isso reedito esse post:
Mereço ser processado
Marcos Cordeiro de
Andrade
Caros
Colegas,
Porque infringi determinadas regras de
conduta, mereço ser processado. E não é à toa que os que criaram os parâmetros para
cumprimento dessas normas me ameaçam. Num país onde impera a corrupção é
proibido ser honesto. Num ambiente onde grassa a mentira é crime falar a
verdade. Numa classe onde a velhice é explorada ninguém deve amar e respeitar
os idosos sob pena de banimento para o fogo do inferno. Habitamos um lugar
onde, também, não é concebível trabalhar de graça por idealismo, por amor ao
próximo.
Eu desrespeitei todas as normas que
regem a conduta do bom escroque, do mercenário exemplar, do aproveitador
barato, do safado que explora a desgraça alheia. Por isso mereço ser
processado.
E há quem cuide disso com muita
propriedade na tentativa de me impedir de ser honesto, de falar a verdade, de
defender os velhos oprimidos. E de trabalhar de graça manchando a honra de
eternos manipuladores das Entidades subordinadas a uma Federação inservível,
pelo menos para a AAPPREVI.
Na ótica desse universo sou um
criminoso e como tal mereço ser processado por muitos crimes. Um deles foi não
ter me desviado do caminho do bem, quando descobri quanta patifaria existe
abaixo do manto do BB, da PREVI e de determinadas Entidades. Tudo alimentado
por pessoas mesquinhas e interesseiras que se revezam nos postos de comando
dessas empresas rentáveis, mantenedoras de sinecuras e ganhos fáceis. Foi
quando senti na carne o vitupério que me vitimou a exclusão do usufruto de
direitos adquiridos. Foi quando distribuíram benefícios a rodo por conta das
sobras da PREVI, onde uns poucos justamente merecedores foram contemplados com
quantias irrisórias e outros receberam fortunas, nem sempre em nome da justiça.
E nessa distribuição com cartas marcadas, feitas por alguns dos que hoje me
processam, a maioria, como eu, contando hoje mais de cinquenta anos de
contribuições, nada recebeu.
Mais um crime hediondo a figurar no meu
currículo foi ter criado três instrumentos do mal: o Blog Previ Plano 1, o
CANAEL e a AAPPREVI. O primeiro para denunciar desmandos de figuras carimbadas
e cobrar providências. O segundo, para acender o sinal de alerta em épocas de
eleições no nosso meio. E a AAPPREVI, que surgiu embalada na companhia de
outros iguais a mim, com a inabalável vontade e disposição para ajudar ao
próximo sem vislumbrar recompensas materiais, tornou-se o pomo da discórdia no
contraponto entre o bem e o mal.
Ela deve ser o ícone da tríade daninha
creditada à minha autoria. Como violador das leis da ganância e da falsidade
ideológica, a AAPPREVI foi a pista que deixei para os investigadores
descobrirem os meus crimes. E as provas dos meus deslizes são muitas. Enquanto
as avós desta pequenina obra pouco fazem para seus sócios, nós já mostramos a
que viemos. São seis Ações tramitando no judiciário com indicativos de sucesso
e sem despesas para os autores. É o pujante crescimento autossustentado da
Associação, em que o boca a boca dos beneficiados supre a falta de recursos
para propaganda maciça. É a coragem de se manter como associação beneficente,
sem visar lucros nem pagar salários aos dirigentes. É ter a honestidade de não
sugar os seus sócios com cobranças paralelas à mensalidade, como vender seguros,
planos de saúde, almoços, jantares, bailes e outras explorações dignas de
bazares caça niqueis.
Também sou criminoso porque criei para
a AAPPREVI um modelo de gestão que permite desempenhar seu papel por apenas dez
reais, a título de mensalidade, mantendo benefícios como atendimento 24 horas
para aconselhamento previdenciário, orientação para busca de direitos e
Assessoria Jurídica gratuita. Isto porque, ao tempo em que a AAPPREVI paga
todas as despesas dos processos patrocinados, obedecendo às normas da OAB e do
Judiciário, outras associações cobram elevadas taxas para o mesmo fim, sem
dizer para onde vai o dinheiro assim arrecadado desnecessariamente. Há casos em
que os valores cobrados de um só participante são suficientes para cobrir os
custos de uma ação coletiva inteira. E essas patrocinadoras o fazem conscientemente,
tanto é que, reconhecendo a exorbitância da cobrança prévia, parcelam o
pagamento em cheques pré-datados, numa prática condenada pelo BC.
Não é muito dizer que esse processo de
retaliação por que passo já vem sendo costurado desde Xerém, em 16/07/11, onde
vinte e um títeres atenderam ao comando da FAABB e moveram uma Moção de
Profundo Repúdio contra minha pessoa. Ainda ali, um único e sábio dirigente, o
todo poderoso Presidente da AFABB-PR, senhor Nereu João Lagos, exigiu a
expulsão da AAPPREVI do meio das trinta e duas afiliadas dessa mesma Federação,
sob a alegação incontestável de que eu sou indigno como seu Presidente
.
Logo eu, um aposentado de 73 anos,
pobre, sem poder ou prestígio, fui eloquentemente nomeado terror dos demais
dirigentes das associações de aposentados e pensionistas. Não sei por quê. Só
sei que o senhor Nereu foi atendido com todas as honras. E hoje a AAPPREVI
agradece a liberdade concedida ao ser expulsa da FAABB.
Por toda essa conduta condenável em que
incorro sou passível de punição. E os que não cometem os meus crimes se
encarregam da execução. São pessoas e entidades exemplares dentro de um país
exemplar, onde a corrupção, a desonestidade, a ganância e o despudor são a
tônica em voga para manter o padrão invertido que a sociedade deve ostentar.
Agradeço à recomendação de não reagir
às afrontas gratuitas, mas sem essa de acusações paralelas dizendo que consinto
por calar. Somente não me rebaixo ao ponto de trocar espinhos com cactos,
porque os meus são de mandacaru. Peço que parem com ameaças. Estão gastando
papel à toa, e me fazendo perder tempo congestionando minha linha telefônica.
Tenho muito que fazer. Se quiserem me processar que o façam e me deixem
trabalhar em paz. Enquanto a Justiça não acatar suas ordens.
Também, fugir do lugar comum é entregar
até a alma aos carrascos. Mas, se pouco posso fazer em contrário, dou Graças a
Deus por não me cortarem a língua nem me deceparem os dedos. Pois assim
continuarei gritando e digitando meus textos. Para desespero dos incomodados, dos
incompetentes e dos secos da virtude de amar e servir ao próximo
desinteressadamente.
Minha fortuna é minha honra. E como não
posso distribuir riquezas, semeio esperança.
Marcos
Cordeiro de Andrade – Curitiba (PR), 18.11.2011.
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Leia
o número 2 da Revista Direitos, da AAPPREVI:
Se quiser rever o número 1, o caminho é
este?