sexta-feira, 21 de março de 2014

Caravana da Alegria - III


Caros Colegas,

Escrevi e publiquei esse texto há DOIS ANOS, no dia 23 de março de 2012.



Caravana da Alegria

Marcos Cordeiro de Andrade

Caros Colegas,

Vai começar o espetáculo em nova versão. Estamos sendo convidados para assistir reprise de “filme noir” em cópia nova, com elenco mesclado de velhos e novos atores.

A PREVI anuncia com deslavado cinismo que a caravana anual vai percorrer o País, para anunciar o resultado financeiro do exercício que findou com base no balanço de dez/2011, divulgado com oportuno e substancial atraso:        

“Em continuidade à prática da transparência, a Diretoria Executiva fará a já tradicional apresentação do resultado de forma itinerante, em 12 capitais brasileiras, durante o mês de abril. O resultado será também divulgado nos veículos de comunicação da PREVI”

Para os seus dirigentes é flagrantemente conveniente que isto ocorra ainda no mês de abril, pois servirá de aporte à campanha para carrear votos aos candidatos das chapas da situação, notadamente aqueles encastelados nas Associações cujos dirigentes já lá se encontram (na PREVI).

É vergonhosa essa postura da PREVI com  propaganda itinerante se prestando à continuidade da inoperante Direção, ainda mais porque, no que tange aos cuidados direcionados aos seus participantes e assistidos eles estão totalmente desassistidos nos direitos adquiridos.

De se notar que tudo de que precisamos e a que fazemos jus é necessário brigar na justiça em busca de atendimento. Mesmo assim, com imensos sacrifícios financeiros para pagamento de custas judiciais mais o desgaste emocional pela circunstância de ter que entrar em choque com a “benfeitora”. Deste modo, sentimos como se nos insurgíssemos contra nossos pais, mães e avós que têm ou tinham a obrigação de cuidar de nossas vidas, mas nos abandonaram à própria sorte. E o que pior, designando incompetentes prepostos para cuidar dos nossos destinos, com postura subserviente que permite a evasão do dinheiro que pagamos em poupança para garantir nossas aposentadorias e pensões.  

Outra aberração consiste no modo como somos tratados no quesito intelecto, pois nos manipulam como potenciais portadores do mais alto grau de idiotismo. Pensar em querer incutir em nossas mentes que precisamos de monitoramento com lavagem cerebral, é uma afronta sem parâmetros a registrar, em termos da avaliação depreciativa que nos possam impingir.

Em plena era da informatização globalizada, dos meios de comunicação interligados em redes mundiais de comunicação com resultados simultâneos, programar essa Caravana pelos Estados para nos “informar” de resultados é o mesmo que declarar nossa incapacidade mental para assimilar os mais elementares conhecimentos.

Que necessidade há em gastar dinheiro com passagens em primeira classe e hospedagens cinco estrelas para uma equipe de “experts” de araque para nos dizer o que pela internet pode muito bem ser feito a custo zero? Por que não elaborar um informativo contemplando tudo o que pretendem dizer de viva voz e jogar na “rede” com o elucidativo “perguntas e respostas”? Que serventia terão essas reuniões presenciais para o universo de assistidos da PREVI? Acaso teremos o poder de modificar o quadro apresentado? Teremos as respostas às perguntas que lhes fizermos, ou elas serão anotadas “para posterior atendimento” por e-mail, como sempre alegam e cujo atendimento fica no esquecimento?

A experiência nos diz que isso é coisa sem resultado prático, desnecessária e acintosa. Enquanto esperneamos em busca do reconhecimento dos nossos direitos irão agora os torneados e robustos indivíduos, bem cuidados à custa dos bons salários por que são pagos, passear em caravana turística torrando o nosso dinheiro.

A minha pouca inteligência não alcança o porquê de escolher as Capitais, se o que lá ocorrer será presenciado por meia dúzia de gatos pingados, tratados com desdém e ares de superioridade pelos donos da verdade quando é recorrente essa postura para o périplo.  Por que não marcar presença lá nos rincões desse imenso e sofrido Brasil, onde o diabo procura as botas?

Ao menos camuflem a intenção de fazer turismo elitizado. Para tanto, que se desloquem para conhecer a verdadeira miséria que acomete nossos aposentados e pensionistas em localidades abandonadas pela CASSI e pela própria PREVI, desservidos de atendimento digno nas agências do Banco onde, como assistidos, são recebidos com o nojo dispensado a cães sarnentos.

Seriam úteis assim, mas, somente se na volta arregaçassem as mangas e trabalhassem para amenizar o sofrimento presenciado.

Não creio nessa premissa absolutamente porque “os bons vivants” não podem se rebaixar a tanto. Não podem prescindir dos regalos que os cargos lhes dispensam. Senão, como trocar os acarpetados gabinetes ladeados de vidros de cristais com vista panorâmica, no conforto do ar condicionado e das mordomias servidas por impecáveis mordomos em ambientes dignos da realeza europeia?

Esses dirigentes estão mal acostumados com o bem bom, proporcionado por salários de 42.000 reais mensais que lhes pagamos - afora os “bicos” inerentes às sinecuras, como é o caso. Enquanto que nós, humildes e malfadados súditos, amargamos tratamento indigno. Por nossa culpa, convenhamos.

Tudo porque no passado não soubemos votar e colocamos no topo da pirâmide improdutiva quem não deveria estar nem na sua base, suportando o peso resultante de décadas de maus tratos.

Mas Deus provê da visão o cego que deseja enxergar.

E aproxima-se o dia em que essa pouca vergonha que grassa na PREVI terá fim.

CANAEL neles – www.canael.com.br



Marcos Cordeiro de Andrade – Curitiba (PR) – 23 de março de 2012.

4 comentários:

Marcos Cordeiro de Andrade disse...

Marcos,


a propósito da matéria CARAVANA DA ALEGRIA III, quero registrar que concordo plenamente com você. A falta de respeito é gritante. Tomo a liberdade de repassar a mensagem abaixo (recebida de um amiga aposentada) relatando o ocorrido em Salvador quando da visita dos representantes da PREVI. A atitude do ex-colega Bezerra, apoiada pelos aposentados presentes no evento, foi digna de aplausos. Sei que isso não resolve nada, mas alguém tem de mostrar a esse "povo" que não somos os idiotas que eles pensam. Moro em Brasília, mas sou baiana e fiquei muito orgulhosa dos meus conterrâneos. Em outras ocasiões já havíamos procedido de forma semelhante, inclusive com um ex-presidente do BB. É isso aí, se não nos dão o que temos direito em termos materiais, que nos seja dado o direito de exigir "DIGNIDADE SEMPRE!"


Tenha um bom dia.
Rai

Marcos Cordeiro de Andrade disse...

PREVI – Apresentação de Resultados em Salvador (BA)

Prezados colegas,

É com imensa satisfação que registro a reação dos colegas aposentados de Salvador (BA), ocorrida por ocasião do encontro para apresentação dos resultados-2013 da PREVI.
No início do evento, quando funcionária encarregada do “cerimonial” convidou o diretor Sande a iniciar a apresentação, o nosso colega José Bezerra Rodrigues interveio e pediu para ser ouvido por antecipação, e pediu para faze-lo no microfone que, segundo fomos informados, seria interdito aos presentes.
Em seguida, sem aguardar concordância do diretor René Sanda, subiu ao palco e, ao microfone, fez o discurso que vai abaixo transcrito, um documento que todos devemos ler com atenção e guardar, pois corresponde a tudo aquilo que todos tínhamos vontade de expressar e não tivemos a oportunidade de fazê-lo.
Finalizado o discurso, Bezerra anunciou que se retiraria, pois não se permitia ouvir uma apresentação de dados “a posteriori”. Longamente aplaudido, retirou-se do recinto tendo sido acompanhado por mais de 90% dos presentes. Permaneceram no salão pouco mais de uma dúzia de colegas.
A reação foi inusitada. E tenho certeza de que foi também inesperada pelos representantes da PREVI – Sande e Marcel Barros – habituados que estão a falar sem serem nem contestados.
Parabenizo o colega Bezerra e congratulo-me com todos os que participaram da reação, que se constituiu num exemplo a ser seguido.
Basta de imposições da PREVI sem que haja reação. Basta de ouvir discursos que servem apenas de cortina no grande palco das mistificações.
Cordialmente
Ebenézer W. A. Nascimento
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Discurso proferido pelo colega José BEZERRA Rodrigues quando da abertura da reunião para apresentação dos resultados2013 da PREVI, em Salvador (BA)

UM MOMENTO, POR FAVOR, UMA QUESTÃO DE ORDEM

Meu nome é José Bezerra Rodrigues – matrícula no BB – 5.320.820-X.

Do alto dos meus 78 anos de idade, dos quais 20.836 dias, como sócio da PREVI e há pouco tempo integrante do grupo “Meia Dúzia de Três ou Quatro”, guardando na sua nomenclatura inicial, se tratar de coisa raquítica, mas que pode ser amanhã um fiel da balança, quem sabe?
1 - São muitos os colegas, espalhados por este Brasil afora, que demonstram inquietude e descontentamento pelo que vem ocorrendo com a nossa PREVI, contando com a complacência e beneplácito dos dirigentes, tanto pelos escolhidos do rei, quanto os nomeados por nós, através do voto, que não estão sabendo honrar a outorga. Vejamos:

Continua na Parte II

Marcos Cordeiro de Andrade disse...

Parte II - Final

A) Transformaram nossa condição de associados, que é o mesmo que sócios, em meros assistidos. Segundo o Aurélio, assistidos é o mesmo que socorridos. Socorridos coisa nenhuma, nós somos os legítimos e verdadeiros donos da PREVI.
B) Em eventos como este, gostaríamos, isto sim, na qualidade de sócios, não apenas engolir de goela abaixo, a apresentação de uma peça pronta e acabada, quase sempre ricamente encadernada e cheia de gráficos bem elaborados, porém discutir esses balanços, ainda na forma de rascunho, quando poderíamos questioná-los, pedir esclarecimentos e apresentar sugestões, para posteriormente serem fechados e publicados; será que agora não estamos fazendo apenas o papel de inocentes úteis, permitindo que saiam por aí apregoando, para Deus e o mundo de que os sócios da PREVI tomaram prévio conhecimento daquilo que poderíamos qualificar como malfeito?;
C) Permitiram, ao arrepio da lei, que uma simples resolução alterasse sua legitimidade, dando uma de João Sem Braço;
D) Esqueceram que os estatutos de uma sociedade, é uma lei orgânica que expressa formalmente os princípios que remem a mesma, razão pela qual, não podendo, nem mesmo o rei, macular esta assertiva. Corre a boca pequena, que o tal Teto de Benefícios, pode ser elevado a patamar comprometedor e danoso as finanças do nosso fundo de pensão, estendendo também estas benesses aos dirigentes da PREVI, que podem se acovardar e fingir que estão com os olhos fechados, diante de tamanha anomalia;
E) Permitiram que conselheiros, que têm a função pura e tão somente de aconselhar, referendassem, a mando de quem quer que seja, dispensa do pagamento de mensalidades, tanto do chamado patrocinador, quanto do pessoal da ativa, uma vez que as mesmas se destinariam à formação de um fundo de reserva para ser utilizado quando das futuras aposentadorias, evitando assim subtrair dos recursos suadamente pagos pelos colegas que o fizeram ao longo de muitos e muitos anos. Quem executa um comando errado, se responsabiliza pelas conseqüências, tanto civil, com criminalmente, correndo às suas expensas, os gastos com o processo. Quem pariu Mateus que o embale.
2 – Temos bem presente de que esses desmandos se passaram diante dos nossos olhos, sem que saíssemos da letargia, alimentando o saudosismo em pensar que o compreensivo empregador de outrora, seja o mesmo ganancioso de agora; b) – Que boa parte, se não a totalidade dos dirigentes da PREVI, escolhidos por nós através do voto, se deixaram picar pela mosca azul do poder, preferindo se ombrear com os escolhidos do rei, em detrimento dos legítimos e sadios interesses de seus eleitores, sempre esbanjando boa fé. Eleições vêm aí, quando poderemos corrigir falhas do passado e alterar fumos para o futuro.
3 – Já estão apregoando aos quatro cantos, de que quem decide as eleições da PREVI, são os colegas da ativa, que quase sempre votam sob pressão, chegando próximo a assédio moral, pois com renitência fica estampada na tela do computador de trabalho de cada qual, a expressão “Você ainda não votou”. Irritados, mas não subjugados, os pobres coitados dos funcionários, que até para se verem livres da infernização, devem ter engrossado o caldo da coluna dos 18 mil insatisfeitos da última eleição, que votaram em branco ou anularam o voto. Não perdem por esperar, pois quem ainda está vivo, não está morto.
4 – Na oportunidade queremos agradecer à empresa que nos brindou com este excelente desjejum, com quitutes tão deliciosos, que não temos por hábito saboreá-los com frequência, mas deixando claro que fomos nós aqui presentes, verdadeiros donos da PREVI, que patrocinamos o evento, encarregando os nossos administradores de fazê-lo.
5 – Tudo isto considerado, me sinto no direito de meu ausentar do ambiente, deixando os nossos administradores, inteiramente à vontade, para venderem o seu peixe, da forma melhor que lhes aprouver. Obrigado.
Salvador (B), 19/03/2014.

rub.gp disse...

Caro aposentado Dr. Marcos Cordeiro, utilizando a idéia de outro colega anonimo venho comentar que a atitude de se retirar do recinto onde se estiver sendo apresentado o Balanço do BB, nessa caravana da alegria, como bem disse o Marcos Cordeiro, se todos os aposentados e pensionistas presentes nesta referida apresentação se retirasse do recinto, apos a fala, ou seja o começo da fala do primeiro Diretor, e seria um grande gesto de despreso pelo que estamos passando, desmandos, etc e sem poder ter o minimo de participação na Previ. Sou socio da aapprevi, e aposentado de Cambé-PR.