Caros Colegas.
1962. Há exatos 50 anos entrei na
vida da PREVI. No dia 15 de maio daquele ano, ao tomar posse no Banco do Brasil
como concursado tive um dia cheio de tarefas protocolares a cumprir. Entre a
apresentação ao contador, subgerente à época, e o final do expediente, fui
submetido ao juramento à CIC, saudável e saudoso trote, e assinatura de vários
papéis, dois dos quais considero os mais importantes contratos da minha vida:
as propostas de adesão à CASSI e à PREVI. E mais um terceiro, que até agora
somente me serviu para mostrar o caminho do endividamento – a CAPEC, fonte do
Empréstimo Simples.
Desde então encarei eleições
sucessivas para escolha de Dirigentes da PREVI por toda essa metade de século.
No início, e até certo ponto, acompanhando o voto dos veteranos sem muita
convicção do que fazia, por inexperiência e desconhecimento de causa. Depois,
mordendo o cabresto, adquiri vontade própria e passei a votar conscientemente e,
posso dizer, sem desperdiçar nenhuma escolha.
Mas veio o tempo de mudanças em
que votar deixou de ser sinônimo de vontade para se transformar em necessidade.
E ai o bicho pegou. Foi a partir de quando a ganância se apossou das duas
partes envolvidas nessas eleições. E até hoje tanto votado como votantes engalfinham-se
na luta pelo poder. De um lado, o objeto foi dominado pela voraz fome de
divisas do Patrocinador. Do outro, a gana com que os eletivos se digladiam na
busca do voto – e de empregos - torna a disputa num ato nojento.
Muito se diz que os Eleitos da PREVI
não têm poder de mando, nada decidem e, consequentemente, nada fazem. A
desculpa é que foi abolida a figura do corpo social, alijado da necessidade de
ser consultado para aprovação – ou negação – de mudanças vitais. Somado a isso
nos empurram o voto de qualidade como justificativa para a subserviência
condenável.
Validado ou não, esse nhém, nhém,
nhém constante soa como choro de criança birrenta que não quer fazer o dever de
casa. Mesmo impedidos de peitar os seus patrões os eleitos não são forçados a permanecer
no cargo. Nem têm mordaças impostas à força. Todavia, com essas desculpas se
apegam aos cargos como rêmoras comensais trocando convenientes gentilezas, e
como vacas de presépio permanecem a concordar com tudo. Nisso justificando
assertivas: eu te limpo o dorso e me dás comida; mantenho-me calado e garanto
meu gordo salário extra. E assim nada fazem. E não gritam. Nem sussurram
sequer. Nem ao menos movem uma palha, pois se para o amo está bom assim, para
eles melhor ainda com a garantia de um fim de velhice tranquila, de burra cheia,
à custa dos “seus eleitores”.
No momento estamos no olho do
furacão de mais uma eleição, pródiga de chapas concorrentes a nos atormentar o
sossego. No saudoso ano de 1962 comecei a jornada com chapas únicas,
apresentadas pelo bom senso, depois duplas, para contemplar escolhas. E foram
aumentando em número pela necessidade de satisfazer políticas e politicagens.
Hoje já são seis na disputa. Também para nada fazer, será?
Provavelmente sim, respondo, pois
as pífias plataformas apresentadas seguem sempre a mesma linha. Só se vê
promessas. Promessas e mais promessas antecedidas da condicional SE. Se eu for
eleito farei isso e aquilo. Se nossa chapa vencer, faremos mudanças. Se continuarmos
mandando a coisa vai melhorar. Se entrarmos, limparemos a casa. E tudo será
maravilhoso.
Assim sendo, votem todos com a
certeza de que estarão lhes dando o bem bom. E que continuarão sendo
ludibriados pelos que elegerem. Pois a experiência nos diz que eles seguirão a
mesma postura de serviçais que entram magricelas na casa do patrão e saem
pançudos, bem nutridos da mesa farta depois de cumprir as tarefas corriqueiras
e simples – manter a mansão em ordem e polir a prataria e os cristais com o uso
diário das mordomias alimentadas. Mas sem tirar nada do lugar porque o patrão é
cioso conservador e não permite mudanças. Mas entrem, cumpram direitinho o seu
mandato que, ao sair, terão estendido à porta o tapete vermelho das sinecuras
ofertadas pelo bom comportamento – por não terem bulido nos mimos do patrão.
Deixando a casa pronta para receber os magricelas da hora que virão ser cevados
no chiqueiro de luxo.
Mas desta feita o meu voto não
terão. A não ser que alguém mude o discurso. Para fazer jus à minha escolha
será preciso algo mais que simples promessas - quero certezas. E não exijo
muito. Basta que uma meia dúzia de seis se una e mostre coragem de gritar. De
cobrar. De exigir. De ser capaz de me convencer que, de fato, podem e querem
fazer. E que farão.
É suficiente que se perfilem em
manifesto contundente exigindo, já agora, postura comportamental independente
dos que saem. Digam-lhes o que querem que façam ainda nos cargos ocupados
porque há tempo. Disponham o rosário de
necessidades prementes a ser amparadas e que são muitas. Mas podem começar com
as mais elementares: a resolução do endividamento opressivo dos aposentados e
pensionistas; o realinhamento do Plano Um; a reforma do estatuto; a troca do
índice de reajuste para um mais condizente com a realidade inflacionária; a reposição
das perdas dos benefícios; o enquadramento da CARIM com tratamento humano aos
seus mutuários; a uniformidade de tratamento aos assistidos; a elevação do
percentual do benefício das pensionistas; atendimento justo aos Pedevistas e
outros aviltados; a reparação isonômica da destinação do “renda certa”; o
atendimento aos pleitos judiciais, etc. etc. e etc.
Se essa declaração conjunta vier de
qualquer das chapas oposicionistas terá o meu voto. E, com absoluta certeza, dos
milhares de insatisfeitos com o que hoje existe o que, obviamente, lhe dará a
vitória. Mas há uma condição. Que no rodapé do manifesto conste o compromisso
de que, se até a metade do mandato as promessas de campanha não forem cumpridas
todos renunciarão aos cargos, juntamente com seus suplentes para proporcionar
novas eleições que lhes dê substitutos honrados, como não conseguiram ser.
Assim, darei nome à chapa a
merecer o meu envelhecido e exigente voto. Caso contrário, esqueçam, pois, como
se diz na minha terra, quem quiser ser grande sem trabalhar que nasça em paul.
Marcos Cordeiro de Andrade –
Curitiba (PR), 08 de maio de 2012.