Marcos Cordeiro de Andrade
Caros
Colegas,
Certas petições calcadas em abaixo-assinados são elementos
natimortos pela essência. E não importa o volume almejado, ou o número
alcançado, sua eficácia é nula, quando não funcionam na contramão do esperado.
Sejam em número de cinco ou cinco milhões, o resultado será sempre um fracasso.
Servem tão somente para adoçar a boca ressecada de velhinhos
esperançosos, iludidos em sua boa-fé. Além do que os obrigam a esforços
desnecessários engordando intenções eleitoreiras de quem as promove. Nesse
ponto, é bom termos em mente as eleições para a PREVI que nos batem à porta. E
como o eleitor aposentado já está escabreado com campanhas tacanhas e
mesquinhas, onde candidatos pululam no tacho de aceite quente tentando mais uma
boquinha, nada mais justo do que fazer-se um alerta em direção à ineficaz
arregimentação de assinaturas com propósitos duvidosos.
No caso presente do Empréstimo Simples, se não bastasse a
PREVI ter se esmerado em atender repetidas reivindicações, já se cogita alterar
o contemplado, antes mesmo de conhecer-se o âmago dos novos parâmetros, pois já
aparecem arautos apregoando mais reivindicações em proveito de desígnios
eleitoreiros. Até parece que desconhecem a salutar teimosia do nosso Fundo em
não modificar de afogadilho resoluções calcadas em estudos de viabilidade,
baseados em critérios inarredáveis.
A utopia do alongamento das parcelas além do permitido, seja
para 150, 180 ou 1001 meses esbarram na impossibilidade da concessão, simplesmente
porque não se pode dar crédito para uma pessoa resgatar sua dívida depois de
morta.
A tábua de mortalidade em que se baseiam os critérios de
resgate do ES apontam para uma vida útil em torno de 80 anos (Expectativa de Vida da Tábua AT-2000 utilizada nos cálculos da PREVI). Portanto,
sabendo-se que os tomadores do ES carregam no lombo, hoje, cerca de 70 anos,
acrescentar a isso mais 15 anos significa desrespeitar a TM, sobrecarregando o
SQM, já suportado por taxas além das normais, justamente para pagar aos que
falecem sem poder levar a dívida para o túmulo.
Uma prova de que abaixo-assinados não funcionam em direção à
PREVI é o fato de que ainda caminha no seio da internet um que pleiteia a
suspensão das prestações de dezembro, janeiro e fevereiro próximos, e esta
reivindicação foi premiada antes mesmo da entrega das assinaturas. Ou alguém
pensa que foi fruto desses bisonhos mil e poucos jamegões ainda não entregues?
Portanto, perdem tempo os pregoeiros das falsas fórmulas
mágicas. E, mais ainda, desperdiçam o entusiasmo de quem acessa a internet
seguindo essas enganadoras premissas calcadas no impossível, levando incautos a
embarcar em canoas furadas,
De uma coisa podem ter certeza, pedidos sem fundamento
somente se prestam para alimentar os cestos de lixo bem postados sob as mesas
dos técnicos da PREVI – e de seus dirigentes que tenham os pés no chão e não se
deixem levar por leviandades disseminadas como suporte eleitoreiro.
Ainda mais que virou moda esse costume de se postar sob os
holofotes. Hoje em dia, se alguém quer aparecer lança um abaixo-assinado na
internet. É tiro e queda. Cedo seu nome estará enchendo chapas que dependam do
voto de aposentados e pensionistas. E são eleitos na maior cara de pau – para
ter um bom salário e nada fazer pelos “seus” eleitores.
Melhor será para todos nós, devedores do ES, procurar
decifrar as entrelinhas dos atuais parâmetros instituídos para, no curto espaço
disponibilizado, descobrirmos o que nos possa favorecer.
Também, pedidos desmedidamente absurdos poderão levar a PREVI
a repensar as determinações atuais, ganhando tempo para cozinhar o assunto nos
tirando a cocada da boca.
E lembrem-se, quem tudo quer não tem nada e “olho grande não
entra na China”. O que tenho já me basta, se é dado com a Graça de Deus.
Marcos
Cordeiro de Andrade – Curitiba (PR), 17 de outubro de 2015.