quarta-feira, 16 de julho de 2014

A montanha pariu um gambá - II



Marcos Cordeiro de Andrade

Original publicado no dia 06 de novembro de 2012, hoje reeditado porque nada mudou, infelizmente.

Caros Colegas,

Saiu o Empréstimo Simples, com certeza. Nada mais apropriado para o momento do que essa expressão, porque o ES “saiu” dos planos de muita gente. Para aqueles que esperavam o que a irresponsabilidade prometeu resta a alternativa de refazer os planos alimentados por conta de quem permitiu, e incentivou, a campanha ilusionista dos 180/180.

Com coisa séria não se brinca e a credulidade é um misto de fé e expectativa nas possibilidades de se alcançar graças. Por isso boa parcela dos tomadores do ES embalou durante mais de um ano a esperança de melhorias na condição de vida por conta de solução prometida. Promessa feita por quem não tem o direito de fomentar campanha utópica de alcance impossível.

Todo Plano de Previdência tem como função social assistir os participantes nas necessidades de manutenção por que pagaram, além de protegê-los de ocorrências daninhas advindas do mau atendimento que lhes for destinado. Assim sendo, cabe à PREVI bem informar seus dependentes para evitar que aproveitadores se beneficiem das falhas detectadas no seu mutismo imperdoável, porque se comunica mal e porcamente com quem dela depende. Deixar de mantê-los a par do que ocorre no Fundo dá margem ao surgimento e manutenção de falsos pregoeiros e videntes de araque com duvidosas intenções promocionais.

Daí a necessidade de se contar com a experiência dos moderadores de Blogs a quem não se permite incorrer em grosseiros erros de avaliação. Sabem eles mais que ninguém que a possibilidade de atendimento de pedidos desesperados endereçados à PREVI é praticamente nula, partam de onde partir, pois o nosso Fundo atua de modo impessoal e é insensível aos lancinantes relatos das necessidades de participantes e assistidos. Tanto é que o seu site não se presta a informar sobre os mais marcantes assuntos do interesse desses seus dependentes, notadamente no que diz respeito ao dinheiro disponibilizado a conta gotas para lhes prover o sustento merecido, parecendo que o seu público alvo pertence a outra esfera da sociedade, pois do modo como age visivelmente se dirige a outros que não os participantes e assistidos – sempre.

Como a PREVI é uma máquina robótica operada por bitolados servidores, nada lhe foge aos parâmetros preestabelecidos até que a cúpula dirigente seja instigada e resolva mudar a rotina do próprio comportamento. E isso não acontece aleatoriamente. No Sentido do cumprimento de obrigações estatutárias, precisa haver coincidência de determinantes externas, como “ordens superiores” emanadas dos donos do Poder. Nada a estranhar porque não poderia ser diferente pela condição de subalternos todos os que ocupam o palácio do Mourisco – do Porteiro ao Presidente. Taxativamente ninguém ali tem poder de decisão, infelizmente.

Não é demais dizer que atualmente a existência do ES está para muitos dos seus tomadores como a água está para a sustentação da vida. Nesse entendimento, em sendo a PREVI a única fonte de recursos para a maioria dos seus assistidos e na medida em que esses aportes se tornam insuficientes para sua manutenção, nada mais natural do que se buscar alternativas para obtenção de mais recursos de forma lídima para superar dificuldades financeiras. Por isso o Empréstimo Simples de há muito funciona como tábua de salvação para reforçar o orçamento doméstico dos que dele necessitam e dependem. Por isso mesmo, também, deveria a PREVI destinar informações honestas sempre que procurada para contemplar expectativas e desestimular a atuação de falsos pregoeiros que se valem do achismo para angariar simpatizantes em nichos da internet.

Por conta disso um alerta precisa ser dado. Toda procuração deve ter a confiável assinatura do mandante. Do mesmo modo que toda “fonte segura” deve ter um nome acreditado. Deixar-se levar por suposições como tábula rasa é temerário, além de uma demonstração da vulnerabilidade de convicções defendidas. Os achismos são prejudiciais aos seus alvos, por isso não devemos dar crédito cego às frouxas afirmações ditas aleatoriamente como “eu acho”, “eu penso”, “eu sempre acerto nas previsões”, “ouvi de minhas fontes”, etc. Pois essas “afirmações” imponderáveis só servem para perturbar o necessitado que, no desespero, agarra-se a qualquer argumento que sirva para acalentar suas esperanças – o que se afigura desumanamente condenável.

Sob o aspecto da expectativa de consecução de recursos financeiros para permitir sobrevivência, o ES atua como moeda sazonal que surge a intervalo médio de um ano, entre uma safra e outra, mesmo para quem nada plantou no amanho da “terra” nesse intervalo, porque o fez bem antes. Porém, diferentemente de produtos cultivados com previsão de colheita a olhos vistos e em que pese a sujeição às intempéries, o que se esperar até o ano seguinte depois de colhido o ES na safra passada é coisa a que ninguém é dado o direito de prever. É produto surpresa guardado a sete chaves pelos masoquistas donos do poder, como se lhes desse mais poder ainda manter milhares de pessoas na expetativa de saber em quanto pode se endividar mais depois de esperar um ano inteiro por isso para, finalmente, ser contemplado com irrisórios parâmetros – bem distantes daqueles que os arautos da irresponsabilidade atiraram ao vento.

E agora, depois que ele “saiu”, resta-nos encarar a realidade e buscar soluções alternativas para suprir as necessidades que dependiam do realinhamento esperado - com conformismo ascético, pois de onde nada se espera é que não sai nada mesmo. E que nos sirva de lição as frustrações no contexto, para retomarmos o caminho da realidade aprofundando a busca por mudanças na PREVI, principalmente no seu Estatuto. Vamos exigir dos Blogs que trabalhem com responsabilidade e respeito aos seus frequentadores, destinando-lhes informações precisas, se as tiverem, ou que se contentem com pouca afluência, mas solidamente crédula.

Não podemos esquecer que a função de um Blog é prestar serviços a quem o procura. O espaço disponível para inserção de comentários serve para troca de conhecimentos e ajuda mútua e não mais que isso. Ao moderador cabe tão somente exercer a função precípua. Quando muito pode, dentro de conhecimentos inquestionáveis, interferir na troca de mensagens de modo salutar, com “pitadas” do seu saber. Mas sem nunca se envolver em assuntos polêmicos e muito menos incentivar desdobramentos de instauradas discussões inócuas. Se para os que fazem do Blog profissão e têm como alimento o “ibope”, vale lembrar que para tanto podem valer-se de fundamentos honestos e crédulos, sem precisar recorrer a promessas infundadas alardeando intimidade com supostas eminências, como reis e rainhas de cartas de baralho que só têm serventia nas mãos de quem os sabe manipular.

Lamentavelmente a montanha pariu um rato mais parecido com um fedorento gambá, cuja prole sobrevinda bem servirá para substituir os ursinhos de pelúcia de todos os marcéis sasseronizados deste iludido mundo.

Marcos Cordeiro de Andrade – Curitiba (PR) – 06 de novembro de 2012.

(Extraído do post com o título de “A montanha pariu um rato” publicado em 17/10/12).

Um comentário:

rafael campagnoli disse...

Ou seja, a Previ não fez nada a nosso favor. Quem fizer a renovação ( operação mata mata ) estará quitando de uma só vez as parcelas suspensas, pagando tarifas etc, e a Previ não tendo - como sempre - nenhum prejuízo, pelo contrário! Se fosse mesmo para beneficiar os tomadores endividados, o mais justo seria fazer uma operação especial com prazo definido para aderir, ALONGANDO APENAS o prazo para mais de 150 meses, sem pegar troco. Aí o valor das parcelas baixaria bastante e o impacto seria menor. Até hoje, infelizmente, não me lembro de ter ficado contente, de verdade, com ações da Previ em nosso favor. Volto a dizer: a Previ nos trata como o BB sempre nos tratou, com soberba e desdém. Não é à toa que manteve o capitão Dan para continuar nos batendo e subjugando. E nem mesmo pela via judicial a gente tem conseguido fazê-la refletir e pensar naqueles para os quais ela existe. Lamentável mesmo ficar nessa situação por muitos anos. O que parece é que trabalhamos e sonhávamos que seria tudo azul depois que aposentássemos, até porque sempre convivemos com colegas aposentados pré-FHC com vida digna, casas na praia, carros bons etc ... Talvez por erro nosso chegamos a esse ponto. Mas a Previ e o Banco certamente tem culpa grande nisso: grandes superávitis em fundos de pensão sempre refletem uma sistemática supressão de benefícios e direitos.