sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Charlatanismo

Caro Colega.

Leia com atenção como se fora uma bula de remédio de tarja preta, recomendado para tratar da sua saúde financeira por um grupo de charlatães com pretensões de junta médica. Se não entender determinados termos peça ajuda a um colega que sofre do mesmo mal, mas que é assistido por médicos experientes e verdadeiros que cursaram a Universidade da Vida.

O fatídico medicamento de que se trata leva o ilusório nome de “Memorando de Entendimentos”, e o inteiro teor da bula está disponível para atenta leitura aqui do lado, logo depois do enunciado da enquete que o reprovou taxando-o de não recomendável para ser ingerido por aposentados e pensionistas.

Esse é o perigoso remédio que a “equipe” quer que você engula. Cuidado! A meizinha é tão letal que pedem para você responsabilizar-se pelas conseqüências do seu ato assinando com o voto.

Esse voto tem o mesmo valor de um lançamento feito na conta poupança que você formou para garantir sua saúde financeira na velhice. A essa conta somente você tem acesso, mas se der autorização para que os charlatães enfiem na sua goela o remédio fatídico, você estará matando sua saúde financeira precocemente, vitimada por incontroláveis efeitos colaterais adversos.

Votar sim nessa consulta tem o peso de um lançamento errado sem direito a estorno. Uma vez autorizado a vida seguirá o rumo inexorável em direção ao fim. E você não poderá culpar ninguém pelo estado terminal em que chegar a saúde das suas finanças.

Saúde é coisa séria. E para cuidar dela somente devemos confiar em profissional de passado ilibado, que respeite o juramento que o eleva à condição de guardião da vida com uma velhice saudável. E que, baseado em sólidos princípios morais nunca trairá sua confiança, pois quem zela por você com lealdade tem os princípios ditados por Deus. E sua consciência não tem bolsos.

Vote NÃO nessa consulta facciosa, verdadeira aberração que induz ao erro os aposentados e pensionistas que recebem pela PREVI - ainda.

Marcos Cordeiro de Andrade – Curitiba (PR) – 10/12/2010.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A Arca de Marcos

Caros Colegas.

Este Blog bem que poderia chamar-se a Arca de Marcos, hereticamente parodiando a outra, de fins divinos. Esta, pagã, navega em meio ao dilúvio da desinformação tentando chegar ao Ararat do conhecimento para soltar seus animais e povoar o mundo da internet. Aqui convivem bichos de todas as camadas do reino animal. Uns, de invejável utilidade e inteligência. Outros, dispensáveis, que por falta de enquadramento não são úteis nem inteligentes. E entre essas categorias há os inocentes úteis que são manipulados e, por isso, classificados como Maria vai com as outras ou simplesmente vacas de presépio, pelo costume da convivência com duvidosas classes: Valmis, Isas, Sasserons – tipos banidos desta Arca que busca purificação.

De paquidermes a minúsculos seres, aves e insetos, há de tudo um pouco. Aos trancos e barrancos convivem antas, jumentos e ovelhas; abutres, pombas e cisnes; cobras, víboras e camaleões; piolhos, pulgas e cricris. Além de raras espécies em extinção catalogadas no livro da história: Adrião, Aristophanes, Chirivino, Edgardo, Faraco, Heraclito, Holbein, Paim, Rebouças,Tolendal, Valentim e muitos outros que ocupam a esteira da criação de sumidades, resvalando lentamente rumo ao fim da linha de produção divina juntamente com gênios de outras artes que não a da palavra escrita, que estes, da Arca, desenvolvem com sublimidade.

Por vezes o condutor da Arca precisa intervir e baixa o cajado pesado de letras para manter a ordem e evitar matanças. Mas nem sempre chega a tempo de conter desgraças como recentemente aconteceu. O Bicho Rossi, excelente destruidor de parasitas famosos, foi eliminado por carniceiros, predadores abundantes no meio, sem nomes definidos e por isso carimbados como anônimos inservíveis. Não genericamente nominados, porque há os que mesmo levando esse rótulo têm serventia, em maior número, e é bom frisar que um dia divulgarão as identidades - espera-se. Até para distinguí-los dos imprestáveis.

Neste momento em que se inicia uma votação dentro da Arca os bichos estão em polvorosa. Engalfinham-se verbalmente buscando a primazia do convencimento à cata de votos. As duas facções, uma do bem outra do mal, contam com argumentos fortes. Consistentes uns e desandados outros, formando grupos distintos: de um lado, a verdade esclarecedora, promissora; do outro, a mentira deslavada, desagregadora.

E no meio da disputa ficam os inocentes úteis, bombardeados por informações e desinformações, desnorteados como baratas tontas por não saberem distinguir a boa índole da má formação; a lealdade da falsidade; a honradez da vilania; o caráter da falta de pudor. E, por vezes, nem mesmo sabem discernir o que é o sim e o que é o não, misturando significados. São as vítimas da mentira que grassa no interior da Arca. Estas vítimas, como os eleitores que aprovaram o escabroso Renda Certa anterior, cooptados pela dubiedade de propósitos encoberta pela lábia enganadora dos mesmos Valmis, Isas e Sasserons, correm sério risco de repetir o voto exterminador de direitos e esperanças. Errar é humano, persistir no erro é burrice.

Também não dá para entender porque os nomes lá de cima, formadores do rosário de notáveis dissecadores das entranhas da PREVI, não são levados a sério. Somente pode-se creditar essa desconsideração ao alheamento dos que ignoram seus escritos, e ao desconhecimento daquilo que leva um Cidadão de Bem a recomendar o voto NÃO. Estarão as lesmas gosmentas certas e eles errados?

Votar no NÃO é a solução.

Marcos Cordeiro de Andrade - Curitiba (PR), 08 de dezembro de 2010.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

AAPPREVI - Declaração do voto NÃO!

Caros Colegas.

O NÃO é a opção escolhida pela Diretoria da AAPPREVI para declarar sua opção de voto na consulta que se inicia.

A enquete da AAPPREVI apresentou esmagadora preferência pelo voto NÃO. Depois de encerrada, eis os números apurados:

NÃO = 659 votos (75%)
SIM = 215 votos (24%)
Total = 874 votos

Como sempre acontece em vésperas de eleição nos órgãos afetos ao conjunto dos associados, a AAPPREVI direcionou consulta aos seus dirigentes de modo a colher a opinião de cada um antes de conhecerem as demais opiniões.

Aglutinados os indicativos individuais, o voto NÃO é o recomendado pela Associação, respeitadas opiniões em contrário guardadas por alguns associados.

Por oportuno, reafirmamos que a negação ao acordo deve-se ao fato de que o documento não condiz com a posição que recomendamos ser defendida por nossos representantes. Uma vez assinado por estes em obediência à redação imposta pelo patrocinador, levaram a efeito um autêntico ato de traição ao desvirtuar a orientação recebida. Tanto é que fizeram uso Indevido dos poderes investidos que, a despeito de se destinarem à preservação do patrimônio da PREVI, foram desviados para contribuir com a destruição paulatina das reservas garantidoras dos nossos benefícios de aposentadoria e pensões, com a transferência de particularíssimos poderes para espúrio aproveitamento por parte do patrocinador.

Enganada na boa fé, a AAPPREVI empenhou-se em desenvolver um trabalho incansável indicando o nome da Presidente Isa Musa de Noronha como a pessoa indicada a nos representar, à frente da FAABB, na defesa dos interesses dos participantes do PB1. Lamentavelmente não logramos êxito na apresentação de propostas para distribuição do superávit e, o que é pior, nossa indicada aderiu à condenável postura de favorecer o patrocinador, deixando órfãs as Associações de Aposentados e Pensionistas que nela confiaram.

Entendemos que a Presidente Isa Musa de Noronha deveria ter feito uso da firmeza de caráter em que nos fez acreditar, e não poderia, em hipótese alguma, ter assinado o abominável compromisso em nosso nome, pois não foi para isso que a levamos à mesa de negociações.

Em razão desses fatos, enfatizamos nosso propósito de recomendar o voto NÃO, ao tempo em que damos andamento aos preparativos para ingresso na justiça de uma Ação repudiando, negando e contestando a autoridade de que se investiu a senhora Isa Musa de Noronha para agir em proveito das suas convicções pessoais, abandonando o verdadeiro sentido da imposição à representatividade que lhe foi outorgada. Tanto ela quanto os demais assinantes da carta-doação serão levados às barras do Tribunal se não prevalecer o voto NÃO. E o acordo será contestado, pois não reconhecemos autoridade representativa nos que o firmaram na forma inscrita, em nome dos aposentados e pensionistas da PREVI.

A solução é votar NÃO!

Atenciosamente,

Marcos Cordeiro de Andrade – Curitiba (PR) – 07/12/2010.

domingo, 5 de dezembro de 2010

O fio do bigode

Caros Colegas.

A divulgação do “acordo” nos termos em que foi assinado remete ao entendimento de que todos serão contemplados. Uns terão menos e outros mais, o que leva à certeza de que nem todo mundo sairá satisfeito. Mas receberão assim mesmo.

Todavia, o contrato de doação assinado nos põe sob uma dupla ameaça:

- Primeiro: Está dito que será respeitado enquanto durar o dinheiro – e ele pode acabar a qualquer momento, até mesmo daqui a um ano. Basta ser usada mais uma artimanha do Banco, em conluio com a PREVI, pois eles tudo podem, juntos ou em separado;

- Segundo: Está subentendido que a partir dessa doação o Banco se faz dono da metade de tudo que o fundo tem ou que venha a produzir. Não somente relativo a superavits, mas metade de TODO o PB1 lhe pertence e pertencerá ad eternum, do modo em que está anunciado nas entrelinhas.

Por isso é imperioso refletir do que vai adiantar um benefício temporário, cujo prazo é indefinido, quando amanhã ou depois o perdermos sem a certeza de quando, e se, teremos nova esmola passageira. Ainda mais correndo risco de serem os benefícios atuais reduzidos, sem as balinhas de açúcar efêmeras. De qualquer modo, e apesar dos temores, vamos recebê-los sem a necessidade de aprovar o acordo.

De se notar que ao Banco será fácil encontrar meios de fabricar deficit no fundo, do mesmo modo que no passado fabricou este superavit que ai está – tudo para satisfazer seus intentos, suas apropriações. Em havendo resultado negativo o que nos está sendo “dado” agora não terá continuidade. Com a agravante de que voltaremos a pagar as contribuições mensais o que, obviamente, reduzirá o benefício no mesmo valor. Também não podemos esquecer que a PREVI paga “complemento” desde que tenha dinheiro para tal.

Para desviar o foco do verdadeiro significado do acordo firmado o Banco se vale de uma promessa, de cumprimento incerto, para dar a entender aos participantes do PB1 que logo teremos mais benefícios. Foi divulgado Termo de Compromisso onde diz que “em janeiro de 2011 será instalado processo negocial... para avaliar e adotar possíveis alterações no regulamento do Plano de Benefícios 1 da PREVI”.

Esse documento cita a anuência de duas autoridades do governo (que nem sabemos se nele permanecerão), mas cujas assinaturas não constam no seu bojo: o Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo da Silva e o Secretário Executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado. O Blog Previ Plano 1 publicou no dia 26/11, na coluna Notícias Relevantes, cópias dos papéis oficialmente remetidos pela FAABB capeados por Nota endereçada à AAPPREVI, onde se constata a ausência dessas chancelas. Está tudo lá, ainda.

É bom lembrar que vai longe o tempo em que se firmavam compromissos sérios com troca de fios de bigodes. Apesar da fartura com que ornam respeitáveis faces, hoje, em plena era das falcatruas - mensalões, meiões e cuecões - há necessidade da aposição de assinaturas para validar documentos de quaisquer valores: desde um salário mínimo até 7,5 bilhões de reais – ou mais.

Além de tudo, o plebiscito que se pretende é tendencioso. É apontado como consulta ao corpo social para validar a distribuição do superavit quando é sabido que essa etapa é desnecessária. O artifício de se dirigir aos participantes com essa finalidade não encontra amparo nos estatutos, pois a figura do Corpo Social foi abolida, e a partir do quê a aprovação dessa distribuição passou a ser atribuição do Conselho Deliberativo, seguida de consulta aos órgãos competentes. Supõe-se até que este estágio já se consolidou no caso presente, pelo que se depreende do comparecimento dos negociadores a esses Órgãos. Portanto, em sendo assim, no momento atual basta a PREVI efetuar os créditos dentro do que foi combinado, ou seja, destinar 7,5 bilhões de reais aos participantes e assistidos. E não dar nada ao patrocinador. Assim sobrará outro tanto para contemplação posterior.

Por isso o acordo recebeu a redação marota doando esse outro tanto ao Banco e, ainda por cima, dando como justificadas as apropriações havidas e autorizando que outras aconteçam a partir daí, sempre na mesma proporção, meio a meio. Para isto, sim, há necessidade de consulta aos donos do dinheiro, pois o patrocinador não tem direito a nada como pleiteia, por imposição da LC 109, de 29/05/2001, em que pese o artifício fabricado com a Resolução 26, inconstitucionalmente se sobrepondo à Lei. A consulta em andamento tem essa única finalidade: reconhecer direitos inexistentes, do Banco do Brasil.

Portanto, votar SIM significa doar ao Banco a metade do PB1 a partir de agora. E dispensá-lo do pagamento dos cerca de 15 bilhões que “toma emprestado” através de escriturações.

Votar NÃO impede que isso aconteça.

Traduzindo: Votar SIM ou NÃO em nada interfere na distribuição em curso. Os benefícios prometidos serão respeitados e o pagamento do dinheiro garantido até 31/12/2010, data fatal imposta pela Lei.

Mas se o SIM vencer na consulta pretendida e na forma em que está, nós perderemos a garantia do recebimento de benefícios futuros, com ou sem aumentos, de acordo com o entendimento que contemple o acordo que cheira a maracutaia. O Banco pode dar a interpretação que lhe convier e depois dizer: vocês autorizaram.

Eu não vou arriscar. Meu voto é NÃO, pois:

Votar no NÃO é a solução.

Marcos Cordeiro de Andrade – Curitiba (PR) – 05/12/2010.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Está decidido

Caros Colegas.

O superávit já garantiu a ceia de natal dos participantes do PB1. O Banco abriu o cofre da PREVI e depois de separar o dinheiro que quis, devidamente autorizado por um dificílimo acordo que durou três anos para ser terminado, prometeu distribuir as sobras.

O pessoal da ativa vai se regalar com Peru Sadia (ou Perdigão – é tudo da Previ mesmo), com champanhe francês, sobremesa com barras de chocolate crocante e goiabada cascão. Tudo degustado com ajuda dos seus belos dentes cuidados pelo Plano Odontológico do Banco do Brasil. Enquanto que os velhos aposentados e pensionistas, com suas utilíssimas dentaduras grudadas com Corega, se contentarão com um galetinho desossado acompanhado de sangria com adoçante artificial e uma supimpa sobremesa de alfenim à base de Aspartame.

Este será um natal sem precedentes na história dos esquecidos pela distribuição anterior. E ninguém precisa temer pelo resultado do plebiscito programado. Ele não terá serventia para dar mais ou menos dinheiro agora. O que está determinado no papel assinado por nossos estafados líderes não tem volta. Será pago, pois o dono da PREVI não é de quebrar promessas. Até porque, votando sim ou não, os altíssimos percentuais serão creditados, nem que seja através de folha suplementar – o que é mais provável, uma vez que a Fopag já estará fechada no dia 15, data magna do encerramento da “consulta”.

Portanto, famintos e endividados, não se preocupem em fazer cálculos mirabolantes. Eles, os donos da bolada, sempre fazem a coisa sair bem feita. Afinal, foi tudo escrito para que nós, que estamos acostumados a lidar com números, nos encaixássemos em cada índice presenteado. Basta ler o acordo para entender o quanto cada um receberá, é fácil decifrar e para os que não têm diplomas atuariais há como recorrer aos canais competentes: cartilhas, fale conosco, blogs, diretores eleitos (e nomeados), associações de aposentados. Enfim, um mundo de entendidos capazes de pôr qualquer Champollion no chinelo.

Mas o perigo mora nas entrelinhas do difícil contrato firmado a título de doação. Foi escrito com a mestria dos que cuidam dos contratos de planos de saúde, ou de empréstimos filantrópicos com que o Banco premia seus aposentados e pensionistas. Pois são todos direcionados a idosos – a terceira idade, a idade da morte. Estão tramados com a mesma semvergonhice. Feitos sob medida para enganar crédulos roubando-os na maior cara de pau.

Somente nossos procuradores movidos pelo cansaço extremo e a boa fé que lhes é peculiar, não viram isso ao assinar o contrato que deu ao Banco o direito – e o poder – de nos tirar até o último centavo da poupança que levou 104 anos para chegar ao que chegou. E já está se desmilinguindo. A dinheirama que somava 28 bilhões baixou para 14 em menos de um ano e agora, depois do histórico acordo assinado pelas sumidades, chegou a 7 e meio bilhões como num passe de mágica. Mas até isso devemos relevar porque somos uma classe privilegiada, defendida com unhas e dentes por abnegados e sábios representantes – que só pensam em nós, inocentes úteis e ingratos que às vezes não compreendemos seus esforços sobre humanos ao enfrentar negociações adversas, de mentirinha é certo, mas ocasiões em que esquecem seu próprio bem estar – se é que eles têm bem estar.

Também é de se lamentar que a partir da assinatura daquela entregação o patrocinador esteja devidamente autorizado para contabilizar ganhos – passados e futuros. Aquilo tem mais força que uma bula papal para os católicos. É como o édito real que autorizou a derrama, ou o roubo qualificado.

Portanto, caríssimos aposentados e pensionistas, não esquentem a cabeça procurando entender a propaganda que os assediará em breve. Simplesmente aumentem o tamanho da lata de lixo para receber os reclames solenemente, pois virão com força total. E de variadas fontes: ANABB, FAABB, AFAs, PREVI, Sindicatos, Governo e o diabo a quatro. Tudo mandando votar no SIM. A decisão é sua.

Mas, por via das dúvidas, eu vou votar no NÃO.

Marcos Cordeiro de Andrade – Curitiba (PR) – 03/12/2010.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Explica, mas não justifica

Sr. Presidente,

A propósito de sua afirmativa de que a FAABB estaria sendo tendenciosa com relação ao voto sim ou não no plebiscito que a Previ anuncia, respeitosamente desejo esclarecer que a FAABB respeita a posição de todas as suas filiadas e no Ofício cumpre seu dever de orientar que as Associações levem exaustivamente a discussão do tema a seus associados. Os exatos termos do Ofício dizem em seu primeiro parágrafo:
“Nos próximos dias a Previ deverá divulgar todos os detalhes dos benefícios especiais que serão concedidos relativos à Reserva Especial Para Revisão do Plano, caso participantes e assistidos do Plano 1 votem favoravelmente em plebiscito de 9 a 15 de dezembro.”

No último parágrafo recomenda:

“A FAABB considera fundamental que toda essa discussão seja levada claramente para nossos associados, pois esses deverão votar com consciência do que estão escolhendo.”
Atenciosamente,

Isa Musa de Noronha

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Caros Colegas.

É aceitável, compreensível, e necessário que cada associação declare sua tendência de voto no plebiscito, na tentativa de influenciar seus representados no bom sentido.

No entanto, a FAABB – Federação das Associações dos Aposentados e Pensionistas do Banco do Brasil não pode desviar-se da neutralidade pressuposta no relacionamento entre suas afiliadas. Deve, isto sim, envidar todos os esforços pelos meios possíveis para dotá-las dos conhecimentos necessários para fazer juízo de valor e, assim, repassar aos seus associados o entendimento desapaixonado do que redundará o voto dado no plebiscito. A estas Associações cabe a fidelidade aos seus princípios, tendo em primeiro lugar a preocupação com os destinos do patrimônio que dá suporte ao pagamento dos benefícios – no presente e no futuro – ora em discussão.

Em que pese a lembrança do parágrafo final do Ofício, destacado pela Presidente Isa Musa de Noronha, em que a FAABB cumpre o papel inerente à neutralidade que dela se espera, o mesmo não ocorreu com a infeliz colocação registrada na introdução do documento:

Nos próximos dias a Previ deverá divulgar todos os detalhes dos benefícios especiais que serão concedidos relativos à Reserva Especial Para Revisão do Plano, caso participantes e assistidos do Plano 1 votem favoravelmente em plebiscito de 9 a 15 de dezembro.”

Por esta colocação, entendo que a Federação foi tendenciosa na sua intenção, levando ao entendimento de que os participantes e assistidos somente serão atendidos na distribuição dos benefícios prometidos caso “votem favoravelmente em plebiscito de 9 a 15 de dezembro”.

Marcos Cordeiro de Andrade – Curitiba (PR) – 02/12/2010.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Eternamente trouxas

Caros Colegas.

Tratam-nos como idiotas porque agimos como tal. Todos os adjetivos usuais para definir o idiotismo nos são aplicáveis no momento presente. Além de outros: ingenuidade, boa fé exacerbada, memória curta, baixa autoestima – tudo se concebe. Este ano de 2010 será reconhecido no futuro como o marco regulatório que definiu nosso comportamento subserviente da aceitação de imposições, direcionamentos, e castração de desejos e vontades. Tudo porque nos deixamos conduzir como animais levados ao matadouro, tangidos entre currais afunilados até o destino único do suplício.

Assistimos desde janeiro ao jogo sujo do Banco, com o uso da PREVI, preparando o bote fatal para impor seus desígnios. Depois de divulgado o superávit teve início a execução de um plano mesquinho, pois bastava ali ser anunciada a distribuição do montante obtido sem necessidade dos desdobramentos conhecidos. Mas a estratégia guardada não permitia simplismo, e esticar o tempo era imperioso para se chegar à data limite: final do ano. Nessa faixa de chegada estaria consolidado o ambiente para o anúncio retumbante: barrigas vazias, a constatação da passagem de mais um ano em direção à morte, época da acentuação das necessidades, esperança de um natal mais feliz que o de antes, e por ai segue. Vai longe o tempo em que se conquistavam pessoas pelo estômago. Hoje essa conquista se consuma pelo bolso.

Armado o circo no início do ano foi posta em prática a programação do duradouro espetáculo mambembe. A companhia teatral foi posta em campo, composta dos bem intencionados elementos da PREVI liderados pelo seu arrogante presidente, serviçal do Banco do Brasil, competentíssima figura na arte da enganação. Seus acompanhantes também desempenharam seus papéis com excelência, ostentando o pomposo título de Eleitos.

Foram infindáveis espetáculos encenados pelo Brasil afora, nas capitais e grandes Cidades, para divulgar resultados bilionários – tudo nosso, diziam. Com explicações inócuas e desnecessárias, o espaço de tempo entre os eventos era dilatado para durar todo o primeiro semestre. Depois vieram os encontros patrocinados pelas “Entidades Representativas dos Aposentados e Pensionistas” (outra enganação), convocando a mesma valorosa e entendida equipe da PREVI, para seguidas apresentações perante a platéia dos dóceis velhinhos com sua infantil credulidade, batendo palmas para a enganadora trupe.

Ai chega-se ao final do exercício, quando o Banco tem que se desvencilhar dos indícios de irregularidades praticadas. E isto está sendo fácil, visto que a programação foi cumprida à risca e, uma vez chegado o momento aprazado foi desferido o golpe final, contundentemente amparado pela argumentação inquestionável na forma de proposta, com cunho de decisão, apresentada numa bandeja estendida cheia de merrecas cintilantes. Disponíveis para uso imediato depois de aprovado o plebiscito.

E os pobres diabos famintos, desiludidos, endividados e ávidos pelos tostões prometidos estão prontos para, em uníssono, aprovar o desfecho tão esperado. Com murmúrios silenciosos pretendem dizer SIM através dos bolsos. Quando o pouco de dignidade que lhes resta clama para que se diga NÃO.

Marcos Cordeiro de Andrade – Curitiba (PR) – 01/12/2010.