Edison de Bem escreveu:
Meu caro Marcos,
Seu nome, inquestionavelmente, faz "tremer" a "base circense" montada para dizer sim ao BB e à PREVI.
Se a negociação fosse "quente", faria questão de ser o primeiro a apoiá-lo, como já o havia feito quando pensei que a fórmula seria outra, aberta e diversificada, contemplando diversos colegas.
No entanto, como se pode prever, o "REPRESENTANTE", será "manietado" com as "REGRAS DO NÃO PODE" e você jamais se prestaria para isto.
A sua palavra forte e corajosa deve ser preservada para momento oportuno, em que possa realmente ser ouvida e apoiada por todos. Não agora, que as cartas continuam marcadas e a maioria dos nossos colegas reluta em defenestrar as "velhas carcaças" encasteladas no poder. Ainda é um "saco de gatos". Não nos convém jogar tão valoroso " soldado da causa", solitário, naquele meio.
Já entregaram parte de nossas economias para que o "bondoso" Banco do Brasil investisse no VALERIODUTO (como agora descoberto pela Polícia Federal), melhorasse os números de seus balanços e comprasse outras instituições financeiras.
O que querem agora ? Já jogaram iscas para todos os gostos, é só ver a hilária "salada" contida na nova lista de reivindicações.
Desejam agradar a todos, embora saibamos falsas e inócuas suas propostas.
Se, efetivamente, quisessem resolver o problema, as próprias ASSOCIAÇÕES que dizem nos defender, abririam votação nacional para indicação de nomes de colegas especialistas no assunto, isentos de compromissos políticos, retirando daí, número pré-definido, para compor uma COMISSÃO. Estes colegas seriam encarregados de elaborar projeto único, contemplando formas de solucionar senão todos, mas a grande maioria dos problemas hoje discutidos. É muito fácil de resolver, é só querer.
Mas aí está o grande óbice, resolvida esta questão, apagar-se-i-am as "luzes dos holofotes" que alimentam os eternos "coroados". À míngua, morreriam politicamente.
Mas, colegas, não são estes os nossos maiores problemas. O que me preocupa e "tira o sono" é a continuidade da vigência da RESOLUÇÃO 26. Esta sim é o verdadeiro "cancro" a ser, urgentemente, extirpado.
Através da Resolução 26 o Banco, que de há muito já não merece nossa confiança, pode determinar manipulação de números, fabricando sucessivos superávits inexistentes e deles se locupletando, até o esgotamento da capacidade de pagamento da PREVI, levando-a ao caos, hoje vivido pela AERUS.
Mas a maior parte da culpa cabe a nós mesmos, a inércia e a alienação nos jogaram nesta situação.
Eu, sinceramente, estou cansado. É somente uma meia dúzia brigando, tirando dinheiro do próprio bolso para viajar ao encontro de políticos que possam ajudar, varando madrugadas e contatando as mais diversas autoridades, em busca de "luz".
Pelas verdades ditas, sabidas, mas às vezes difíceis de provar, arriscamos até ser processados e, os demais, o que fazem?
A grande maioria destes que hoje estão lutando, dentre os quais me incluo, não estão esperando aplausos ou gratidão, mas pelo menos, entendem merecer apoio e incentivo.
Somos 120 mil almas vinculadas diretamente à PREVI. Se tivermos 3% de colegas/pensionistas, preocupados e discutindo os problemas que nos afetam é muito. Certamente não alcançamos a tanto.
Vou discorrer um exemplo que é a tônica em nossa comunidade.
Dia deste fui convidado para almoço mensal de aposentados.
Como sempre alguns se chegaram para conversar e saber as novidades, mas a pergunta dominante era sempre: o que vem de dinheiro por aí?
Devido a situação de muitos até se entende.
Mas, podemos sentir, nestas rodas, a total indiferença com o futuro.
A tônica é " vou morrer em seguida, quero é aproveitar os dias que me restam, com dinheiro no bolso".
Ao final da reunião, o colega "coordenador" solicitou a quem quisesse receber notícias sobre andamento de assuntos da PREVI/CASSI , que registrasse o e-mail em uma lista. Sabem quantas adesões recebi... UMA...
Sobre o mesmo assunto, aproveito para repercutir o ocorrido com o brilhante companheiro Luiz Dalton que na reunião de Porto Alegre perdeu a paciência com os "falastrões" da PREVI e não foi apoiado por ninguém. O fato transcrevo abaixo:
"Ontem participei do encontro na SUPER (RS) para ouvir as patranhas de um diretor da PREVI eleito por nós para nos defender e cuidar de nosso patrimônio. No salão que deveria ser de debates vi e ouvi estarrecido a subserviência de uma plateia de pascácios embevecidos com os números e besteiras ali apresentados. Em determinado momento não pude ignorar as mentiras que nos eram atiradas como se fôramos indigentes mentais. Tudo isso, mérito daqueles nossos representantes, na verdade empregados, pois nós é que lhes pagamos os ricos salários e mordomias. Reagi enfurecido. Interpelei o embevecido palestrante, insultando-o por faltar com a verdade, ademais de outros assaques. Para minha estupefação não tive qualquer sinal de apoio à minha franqueza e duras assertivas contra o marionete que ali se apresentava. Os baba-ovos assentados no auditório o aplaudiam com se o cara fosse um milagreiro dos tempos medievais. Foi uma tristeza. Houve colega que perguntou a respeito do reflexo do terremoto e tsunami japonês sobre os valores das ações da Vale. Tive que desistir e me ausentei do picadeiro ali armado. Meu caro amigo, nós não podemos nos juntar a esse cabotinismo e farsa montados por esses auto-intitulados nossos representantes. Li num desses emeios que correm por aí, uma pretensiosa e irreverente carraspana subscrita pela Srª. Isa Musa a um nosso querido, denodado e respeitado companheiro. Essa cidadã e colega que não conheço, afirmou competir somente ela e seus acólitos das AFAs decidir quem participa ou deixa de participar nessas cabulosas tratativas. Para isso ela pede a indicação de nomes de “representantes” apenas através das direções das AFABBs regionais. Permito-me perguntar: quem deu a ela esse poder?..."(Luiz Dalton)
Ás vezes penso até em largar essa militância teimosa, mas reflito e a vejo, valente, persistente e com o foco pré-determinado na vitória das nossas idéias e, especialmente porque, temos a parceria de colegas especiais, que valorizam o nosso trabalho, e se apresentam como verdadeiros "bálsamos", quando pensamos em esmorecer.
UM ABRAÇO A VOCÊ MEU CARO MARCOS E A TODOS OS COLEGAS QUE NOS ACOMPANHAM.
EDISON DE BEM