Marcos Cordeiro de
Andrade
Curitiba (PR), 17 de
novembro de 2012.
Caro Gilvan,
A poucos dias da Assembleia para
eleição na nossa querida AAPPREVI, em que forçosamente estaremos presentes no
mesmo recinto, por sinal a minha casa onde está abrigada a Associação desde sua
fundação, gostaria que esse encontro se desse no clima de camaradagem e
respeito mútuo que sempre existiu entre nós
Pelo que se desenha no horizonte,
e a persistir o atual estado de coisas, se prenuncia uma desagradável situação,
pois você hoje me tem como um inimigo a quem destina um ódio incontido, pelo
que tem registrado nas suas mensagens que me chegam indiretamente como cópias
de e-mail. A mudança do seu comportamento em relação à minha pessoa chegou ao
ponto de influenciar negativamente o Ari Zanella para agir igualmente a você.
Tanto é que o municia de dados imprecisos e incorretos acerca das coisas da
AAPPREVI para que ele poste no seu Blog. Devo lembrar que sempre me relacionei
bem com o Ari, cujo tratamento que me dispensava era o de “Amigo Marcos”.
Até o dia 06/10/12, por ocasião
da nossa conversa diária por telefone de manhã cedo, ritualmente mantida
durante cerca de três anos com uma pontualidade de relógio suíço, os contatos
cessaram. A partir daí você se recusou terminantemente a atender minhas
ligações, tanto na linha da AAPPREVI, instalada na sua casa, como nas suas
linhas particulares – celular e fixa. Também minhas mensagens de e-mail não são
respondidas desde aquela data.
O estranho em tudo isto é que a
drástica mudança de postura não encontra explicação de minha parte para ter
acontecido. Suas constantes visitas à minha casa, com atendimento preferencial
na cozinha, por sua escolha, permitiram com o passar do tempo que isso se
transformasse em amizade fraterna com ares de relacionamento familiar. Muito
embora eu nunca tenha tido a honra de ser recebido em sua casa, seus
comparecimentos à nossa nos davam tal satisfação que minha mulher sempre
preparava os quitutes de sua preferência. E o acolhia na nossa mesa com um
prato de dobradinha ou rabada feita especificamente para agradá-lo, depois de
telefonar perguntando o que você iria querer. Sem contar que você sempre levava
algum mimo da comida nordestina que degustávamos, como queijo de coalho, manteiga
de garrafa, feijão macassar, retirados da dispensa de casa. Ou fatias de bolo
de aniversários ou das festas de final de ano a que comparecia. Era, vejo
agora, não mais um relacionamento de simples amigos, mas de parentes
proximamente íntimos. O que confirma o caro Notebook que me deu de presente de
aniversário “digno de um presidente” – enquanto que eu não tinha condições de
retribuir à altura.
De repente tudo mudou e eu
continuei “me rebaixando”, usando de subterfúgios para merecer atendimento
alternando os aparelhos – ora os normalmente conhecidos, ora o de casa, ora o
celular da minha mulher ou do meu filho. Mas até mesmo isso não funcionou
porque certamente você havia registrado os números para não receber chamadas.
Nessa época se aproximava o prazo
fatal para convocação da Assembleia e você permaneceu imutável, deixando-me
sozinho para cuidar de tudo. Se já era difícil conduzir a Associação nos nossos
dois setores somente, tudo ficou pior.
Por fim, veio a notícia bomba no
corpo de e-mail do Ari Zanella comunicando que faria parte de chapa de oposição
tendo você como Presidente e ele como Vice, sem confirmação da sua parte.
Como não havia planejamento para
concorrermos separadamente, porque era consenso que nós dois permaneceríamos
unidos “para não entregar a AAPPREVI na mão de aproveitadores”, fiquei
desarvorado por saber que não contaria com sua ajuda para conduzir o processo
eleitoral. Além do mais você mantém o domínio e controle da relação dos sócios
relativamente à condição financeira. Partindo daí tive que fazer tudo sozinho,
sem ter experiência suficiente, pois na primeira eleição todos contribuíram com
trabalho e orientação. E você bem sabe que não tenho relacionamentos aqui em
Curitiba com quem possa me ajudar o que tornou impossível trabalhar com
segurança mantendo minha posição de perfeccionista. Isto acarretou a imposição
de falhas nas coisas do processo eleitoral. E surgiram as críticas exacerbadas
nos meios de comunicação, suas e do Ari, mas nunca direcionadas especificamente
aos meus endereços de e-mail, telefone e de correio.
Agora a coisa ficou pior. Os
ataques são mais ferinos. As acusações do cometimento de irregularidades se
sobrepõem, quando sabemos que sempre houve lisura no trato das finanças da
AAPPREVI. Até porque nela não se mexe com dinheiro. Tudo é feito forçosamente
em conjunto – Presidente/Tesoureiro – através de lançamentos na conta de
depósitos iniciados com sua senha e confirmado com a minha. Embora o caminho
possa ser inverso, nunca me permiti iniciar o procedimento. Além do mais, como
reza o Estatuto, tudo que envolve o lado financeiro da Associação tem que ser
assinado por esses dois dirigentes – Presidente e Vice Presidente Financeiro, eu
e você, você e eu. E sempre foi assim, em tudo. Como, aliás, não poderia ser
diferente, pois no CONAD somente nós dois trabalhamos e vivemos inteirados dos
assuntos da AAPPREVI, dado o completo alheamento dos outros dois, Ari Zanella e
Elizabete.
Por tudo que ocorre, encaro como
tremendamente estranho esse repentino comportamento e o interesse do Ari em
concorrer na sua chapa para me alijar do comando, quando seguidas vezes declarou
que nenhuma ajuda de trabalho poderia nos dar pela sua condição de funcionário
público que lhe toma todo o tempo. Será que ele pediu demissão do emprego e
está com tempo de sobra e dinheiro suficiente para dispensar essa renda extra?
Será que ficou penalizado com minha excessiva carga de trabalho na AAPPREVI e,
num surto de magnanimidade, resolveu me premiar com a substituição?
Todavia, para me tirarem do
caminho não precisavam ter me traído escondendo suas pretensões até o último
instante. De notar que até este momento, dia 17/11/12, meio dia e vinte e dois
minutos de sábado, nem a chapa vocês registraram. E tudo poderia ter sido
conduzido dentro da camaradagem que sempre existiu entre nós. Bastaria ter
havido um dos cordiais encontros e postas as cartas na mesa: queremos o seu
lugar e vamos concorrer com chapa de oposição. Eu teria concordado, mesmo sem
entender o que passaria a ser oposição, pois dos dez da atual diretoria somente
dois se mantiveram fiéis a mim. Os outros, excetuando um que se declarou
neutro, me abandonaram configurando traição em massa sob o seu comando, ao que suponho.
Também, se algo estava errado a culpa também é sua porque me deixou manter a
mesma postura durante nosso mandato sem uma única crítica sequer. Ao contrário,
sempre aprovou todos os meus atos, com assinatura ou com palavras e cobria de
elogios a capacidade de trabalho criativo do meu filho e seus conhecimentos
postos à disposição em benefício da Associação e de todos nós. Até nisso você
mudou ao fornecer dados imprecisos e inverídicos ao Ari para atingir
impiedosamente a honra do meu filho e a minha com acusações de incapacidade de
trabalho, desonestidade e desvios de conduta. Nisto quero que saiba o mal que
nos causaram.
Somos uma família de “estrangeiros” aqui no Sul e o único
relacionamento com ares de família que mantínhamos era com você. Sua atitude
nos deixou órfãos criando um clima de estupefação porque não encontramos a
razão de tudo isto. Minha mulher não se conforma com esse rompimento sem
explicações. Meu filho se mantém indignado por não entender os motivos da
atitude mesquinha e descabida do Ari Zanella. Vivemos, nestes dias, num clima
de velório dentro de casa. Perdemos a paz interior. Sentimo-nos vítimas de uma
tremenda e inexplicável traição partida do seu lado. Logo você, da boca de quem
minha mulher e meu filho várias vezes ouviram dizer: ”Marcos, não vamos
entregar tudo isso nas mãos de aventureiros vagabundos”. “Depois de todo
sacrifício, de tudo por que passamos trabalhando de graça 24 horas por dia, não
vamos deixar ninguém chegar e meter a mão na AAPPREVI”.
Lembre o que declarou quando o
convidei para compor a chapa da fundação, três anos atrás – “em você eu confio,
aceito ser Tesoureiro porque sou Economista”.
Mas, e agora, o que mudou? Deixou
de confiar por quê? Quer me tirar daqui para sentar na minha cadeira, acaso eu
seria o aventureiro vagabundo que iria “meter a mão na AAPPREVI”? Será que não seriam
os de chapas opositoras que têm esse propósito? Já examinou esse aspecto? Acaso
aquele projeto de unificação das “pequenas” envolvendo grandes somas não está
por trás disso? E quem vier depois de mim vai seguir o meu exemplo, continuar o
trabalho que iniciei, mantendo a independência da AAPPREVI ou mudar tudo para
pior? Esqueceu que os seus estudos de algumas novas ações tiveram sucesso na
divulgação graças a tudo que se desenrola dentro da minha casa onde hospedo a
AAPPREVI? Esqueceu que tudo teve início graças ao trabalho gratuito do meu
filho desenvolvido durante seguidas noites mal dormidas, porque durante o dia
cumpria expedientes em emprego com carteira assinada? Esqueceu que todas as
campanhas de arregimentação de sócios foram bem sucedidas pelos recursos publicitários
empregados e idealizadas pelo meu filho, graças aos conhecimentos profissionais
dele? Esqueceu a campanha do Notebook para novos sócios? Esqueceu quem teve a ideia
das newsletters que, a cada lançamento de e-mails, nos traz cerca de 200 novas
filiações? Esqueceu que isso assoberbava você de trabalho que foi minimizado
com a implantação do Sistema de Informática a cargo de Empresa especializada,
contratada para esse fim específico pela AAPPREVI (Presidente e Vice
Financeiro)? Esqueceu que você idealizou e coordenou essa implantação, com
acompanhamento constante durante os 32 dias desde o início até a conclusão
quando você autorizou o pagamento da fatura dando-o como bom e confiável? Esqueceu
a criação e continuidade da publicação da Revista (Direitos) que a cada nova
edição nos traz mais sócios? Esqueceu os rasgados elogios que fez sobre a sua
qualidade e importância? Esqueceu quem nela escreve e o Ari Zanella tenta
desqualificar?
Feitas essas considerações,
conclamo que busque um entendimento, que me explique porque mudou seu julgamento sobre minha pessoa. Diga o que fiz de errado para buscar corrigir,
muito embora, num profundo exame de consciência esteja convicto de que não
errei em absolutamente nada na condução da AAPPREVI, ou relativamente à sua
pessoa. E que minha família nada fez contra você ou contra o Ari Zanella para
sofrer tanta carga de ódio explícito.
Sejamos razoáveis. Lembremos a
suposta amizade havida. Busquemos um entendimento mesmo prosseguindo com a
campanha iniciada – você em uma chapa e eu em outra. Mas nem por isso impondo a
necessidade de sermos e nos tratarmos como inimigos irreconciliáveis.
Os três últimos anos deste meu
final de vida foram inteiramente dedicados à construção da AAPPREVI, fazendo-a
ser hoje a terceira maior Associação de Aposentados do Brasil, no âmbito do
BB/CASSI/PREVI. Quero manter a satisfação desse feito até a morte, sendo
lembrado como trabalhador honrado e honesto. Se há quem pense diferente tenho o
direito de saber do que me acusam.
Que Deus ilumine sua mente. E o
faça reconhecer quanto mal está causando a esta família cujo único erro
cometido foi acreditar que a traição nunca nos alcançaria.
Cordial abraço,
Marcos Cordeiro de Andrade.