domingo, 14 de julho de 2013

O rumo da CASSI



Marcos Cordeiro de Andrade

Caros Colegas,

Meus sapatos rotos de nordestino quase retirante gastaram muitos tapetes da Cassi no Rio de Janeiro, na década de 70. Foi assim que, em insistentes visitas sem convites, entre um não e outro consegui avanços para que incluíssem na TGA de então alguns itens que hoje beneficiam milhares de dependentes de associados.

Coisas como cobertura para atendimento a pessoas com deficiências especiais, que naquela época carregavam como RG o pejorativo título de “mongoloide” em suas diversas gradações, foram algumas dessas vitórias. Pois nem de longe eram ressarcidas despesas com cirurgias de lábio leporino, fenda palatina total, correção de pés tortos e dedos colados. E não se dava atenção devida à dextrocardia  para recomendação dos cuidados no ato cirúrgico. Também, compra de colete cervical, botas ortopédicas e cadeiras de rodas fabricadas sob medida para esses necessitados não frequentavam a Tabela.

Embora nada disso me tenha sido pago na época, gastei até o que não tinha com esses procedimentos no longo caminho percorrido, passando por especialistas de Recife e Salvador em busca de atendimento especializado para o meu filho - arcando com as despesas ocorridas. Tudo porque esse filho nasceu fadado a sofrer essas cirurgias e depender de aparelhos especiais para melhorar seu desempenho como ser humano. Mas, minha insistência em cobrar essa dívida surtiu alguns efeitos não imediatos.

Mesmo sem “padrinhos” para ajudar, a condição de pai responsável fez com que canhestros e suplicantes requerimentos acompanhados de relatórios médicos e comprovantes de despesas fossem estudados, avaliados e debatidos para atendimento posterior. Para outros que viessem a implorar o que eu julgava direito já naquela época. Porque a mim não serviu de pronto, nem me deixou menos endividado. Mas valeu a pena.

Como valeu a pena, em consequência, me candidatar a uma adição na Agência Centro do Rio de Janeiro (VAPRO), com dispensa da comissão no primeiro escalão da Agência em Piancó, na Paraíba, e me deslocar para cuidar do filho com aquelas condições.

Percebendo apenas 80% do salário do posto efetivo, para sustentar mulher e filho pagando aluguel de temporada na Cidade desconhecida, encarei com eles a maratona de frequentar gabinetes do SEFUN, CASSI, PREVI, INSS, APAE e coisas que tais durante anos, mesmo depois de ser lotado na Agência Figueiredo Magalhães como PE. Mas o pouco que consegui tem sido muito até hoje.

A TGA atual ampara esse meu filho nas suas necessidades básicas, com glosas que acato com resignação. A CASSI proporciona ressarcimento parcial de despesas com cuidadores 24 horas (dois que se revezam), com logopedistas, fisioterapeutas e outros profissionais (é longa a lista) e com aquisição de aparelhos de locomoção especialmente recomendados. Ademais, embora sua dependência física ainda seja quase total, pois até agora, aos 47 anos de idade, não “aprendeu” a falar nem a locomover-se com as próprias pernas, o dinheiro que a CASSI gasta por mim, aliado à abnegação total da mãe do dependente (código 21), lhe proporciona uma qualidade de vida perto da ideal, no seu particularíssimo caso.

De se notar que esse quadro não pode ser considerado de exceção – é direito adquirido por todos os associados e seus dependentes. Até porque para a CASSI eu sou um mero número no universo dos assistidos. Mas que, como deve ser, exerce os direitos que são devidos pelo pagamento ininterrupto da contribuição mensal feita durante os 51 anos de filiação.  

Por isso defendo a CASSI das ácidas críticas que lhe são feitas. E entendo que não são críticas mordazes que conseguirão fazer dela melhor. É premente mostrar as necessidades básicas que não são atendidas, mesmo amparadas nos regulamentos. Ou deixam de sê-lo pelos responsáveis administrativos dos segmentos próprios. Temos por dever, isto sim, ajudar a gerir nossa Caixa apontando irregularidades conhecidas e denunciar fraudes perpetradas por conveniados ou má gestão pontuais. E apontar soluções para as falhas existentes, cobrando providências.

E votar bem no próximo pleito.

Marcos Cordeiro de Andrade – Curitiba (PR), 14 de julho de 2013.

9 comentários:

Marcos Cordeiro de Andrade disse...

Recebido dos Grupos Moderadores-BB, Acorda-BB, Rede-SOS, Unap-BB


Convite - CASSI-RJ

Enviado por: Paulo Lacerda

Sex, 12 de Jul de 2013 8:36 pm

Aos Amigos e Colegas da CASSI,
Conforme a mensagem e o CONVITE abaixo, a CASSI RIO DE JANEIRO convida os participantes para a reunião com a Diretora de Saúde e Rede de Atendimento, Prezada D. Graça Machado, sobre a POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA, que será realizada na sede da AAFBB (Rua Araújo Porto Alegre nº 64, 10º andar, Centro-RJ), no dia 16/7/2013,
terça-feira próxima, no horário de 14 h às 17 h.
Permito-me aduzir, a propósito, tratar-se de tema de suma importância, tendo em vista, particularmente, situações aparentemente recorrentes de alto limitação imposta ou admitida pela CASSI de prazo para devolução, ao fornecedor, de medicamentos, dentro da respectiva
validade, quando estes medicamentos, por razões médicas diversas, não são mais utilizáveis pelo usuário.
Essa limitação a prazo para devolução --- encorajo-me a dizer ---, a ninguém aparentemente serve e, o que é pior, implica desnecessariamente prejuízo para a CASSI e para o participante, que pagaram pelo medicamento e que, incompreensivelmente deverá ser descartado irremediavelmente por causa do prazo limite vencido (seja qual for o prazo) para a sua devolução. Por favor, reflitam sobre o assunto.
Espero encontrá-los lá, na próxima terça-feira.
Atenciosamente,
Paulo Lacerda.


--- Em ModeradoresBB@yahoogrupos.com.br, Daisy FSacc escreveu

Caros colegas

No dia 16/07/2013 às 14 hs , haverá reunião da CASSI na AAFBB-RJ, com a presença da diretora Graça Machado, para tratar da política de assistência farmacêutica. É um assunto de extrema importância e deixo aqui o meu apelo para que os colegas do Rio de Janeiro e imediações compareçam e participem ativamente com sugestões e questionamentos
esclarecendo dúvidas e nos trazendo informações posteriormente.

Abçs
Daisy -Sp - Sp
SEMENTE DA UNIÃO – MSU
Acorda-BB, Rede-SOS, Unap-BB
PARTICIPE - manifeste-se CONTRA A RES 26

Esteja atento as atitudes que estão em andamento




Blog do Ed disse...

Olho com respeito a atuação da CASSI. Houve tempo, em que dedicava grande confiança na competência de sua atuação. Experimento através da atuação dela em certa cidade que ela é, de fato, valiosa. Tenho grande afeto de amizade por determinados diretores. Ela me atende razoavelmente em certos eventos. Ela me é tremendamente insatisfatória em determinadas ocasiões, talvez até as mais cruciais... Talvez eu não conheça, de fato, a CASSI. Tenho a sensação de que ela deveria ser muito, mas muito mais TRANSPARENTE. Sei que, sendo a assistência médica brasileira DE FATO, NÃO DE LEI, CAPITALISTA, não é fácil a sobrevivência dos Planos de Saúde... Mas, o engenho, a arte, o esforço e o tempo certamente encontrarão a solução...
Edgardo Amorim Rego

Marcos Cordeiro de Andrade disse...



Marcos,

Seu caso e sua luta eu conheço bem de perto, vez que convivíamos na Agência Figueiredo de Magalhães. Eu, menino novo, idealista, aventureiro, recém-vindo de Brasília inicialmente para trabalhar com "Seu" Candido Constâncio, e depois com você, então meu chefe.

Conheço a luta que você narra neste artigo onde as coisas são cuidadosamente colocadas como de fato. E sempre admirei aquele "galego baixinho", com a capanga de lado, o andar apressado, que quase todo dia se digladiava na CASSI em busca de atendimento às necessidades do filho especial.

Bom, com certeza, não lhe restam dúvidas de minhas intenções ao tanto criticar a situação da CASSI. Aquela CASSI que, apesar do trabalho quase insano que você teve para convencer seus dirigentes a mudarem as instruções para atender a uma realidade talvez até então escondida no tapete, por que não eras o único a necessitar disso, não é mais a mesma.

Aquele era o tempo da CASSI dentro de casa, dentro do Banco, ao nosso lado. O que era direito era de direito e o que era necessário para nosso atendimento era buscado também pelas "autoridades" dentro da Caixa, que se preocupavam em nos atender.

Fui apaixonado pela CASSI. Nada era mais importante do que ela no meu entendimento, nem a PREVI, que me daria complemento de aposentadoria, tinha o mesmo valor. A CASSI era minha saúde, minha garantia de velhice atendida em bons hospitais, por bons médicos, com bons aparelhos.

Mas botaram a CASSI pra fora de casa. E hoje critico ferozmente a CASSI. Mas não a nossa, como a que você narrou e defende sempre, mas a que está transformada em cabide de emprego dos mesmos, a CASSI que glosa material de primeira pra reduzir custos, mas que paga salário de mercado. Altos salários para seus dirigentes. Os demais, paga também como o mercado.

Mas ela não é de mercado. a CASSI é nossa, criada pra nós, apenas pra nós. E atrás dela tem uma responsabilidade de quem me atraiu com a promessa de sua existência, com a garantia de seu uso enquanto funcionário e por toda a vida além.

Continua na Parte II

Marcos Cordeiro de Andrade disse...


Parte II - Final

Portanto Marcos, no meu caso, pelo menos, critico principalmente os funcionários do BB que dirigem a CASSI. Que transformam diuturnamente nossa Caixa de Assistência em uma caixa de favores e de cabide para uns poucos lá encastelados há tempos, repetindo a mesma ladainha - a CASSI não aguenta.

Nós é que não aguentamos.

Um abraço

SolonelJr, seu amigo



Amigo Solonel.

Tão franco e sincero esse seu comentário que o publico sem pedir permissão.
Desculpe, mas é uma forma de mostrar ao mundo que alimentamos uma amizade há mais de 40 anos, igualada apenas com a que mantemos com o Geraldo Guedes, desde os tempos da FIMAG.

Abraços,
Marcos Cordeiro.

Blog do Ed disse...

Prezado Solonel Junior

É isso! Precisamos de TRANSPARÊNCIA. Precisamos mudar a forma de gestão da CASSI, da PREVI e de nossas associações de funcionários, aposentados e pensionistas. A REALIDADE SOCIAL DESTES NOSSOS DIAS É OUTRA. A sociedade civil mudou.
Edgardo Amorim Rego

Marcos Cordeiro de Andrade disse...

Caro Marcos, saudações cordiais.

Separando a CASSI desse seu depoimento, quero apenas apresentar a minha admiração, pela sua dedicação, junto com a sua esposa, claro, de quase meio século, ao seu filho especial.
Esse filho é bendito, pelo seu lar, onde transparece, até hoje, sobretudo, o mesmo propósito amoroso, se recomeçar fosse preciso.
Esse seu depoimento de determinação contrapõe-se a tantos riscos existentes, atualmente, para os nascituros, saudáveis ou não, diante da relativização da valorização desses seres humanos, tão dignos de todos os direitos, quanto todos nós que já vemos a luz.

Grato por tudo e PAZ E BEM!

Fernando Lamas
Valinhos(SP)
"Antes de te formar no ventre de sua mãe, eu o conheci."
Jeremias 1, 5a.

Marcos Cordeiro de Andrade disse...


Leia no Blog do Ed:

268. Uma Interpretação do Clamor das Ruas
Por Edgardo Rego

http://blogdoedear.blogspot.com.br/

(Edgardo Amorim Rego é sócio da AAPPREVI)

rub.gp disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcos Cordeiro de Andrade disse...

Confirmando:

O contracheque de JULHO/13 já está disponível no autoatendimento do site PREVI.