Em toda campanha eletiva o normal é enaltecer as qualidades dos candidatos, enumerando-se suas potencialidades e as facções políticas de apoio que exercem o papel de atrair simpatizantes.
Isso numa disputa envolvendo o poder público e cujo voto é obrigatório, com diversidade de chapas concorrentes.
Todavia, no caso desta atípica eleição PREVI 2010, onde apenas duas chapas concorrem à votação, essa lógica não funciona, pois além de o voto ser facultativo deve-se enfatizar as más qualidades dos candidatos para afastá-los da disputa, deixando no páreo a outra chapa na esperança de que corrija distorções existentes. Isto porque aqui não valem influências partidárias por ambas abrigarem siglas rejeitadas pelo bom senso. Além do que neste particular o voto é facultativo e tão valioso quanto o outro, talvez até mais, sendo que aqui os resultados estão mais próximos uma vez que deles depende o bem estar do associado - e de seus familiares - hoje e sempre. E esse associado sabe que não pode ser omisso, sob pena de ter que responder por cobranças – até depois de morto - se negligenciar na vigilância dos benefícios devidos aos seus dependentes.
Por conta disso, há que se fazer um paralelo entre as candidaturas aqui comentadas.
De um lado se encontra um grupo escolhido para dar continuidade à má administração existente. Do outro uma chapa que se diz oponente, com a intenção de amputar os tentáculos malignos que solapam o patrimônio envolvido e trazer de volta o exemplo da boa administração.
De todo modo o que está em disputa é a primazia de defender participantes com direito a um patrimônio superior a 140 bilhões de reais, e esse mesmo patrimônio - seriamente ameaçado pelos desmandos permissivos acobertados pela atual conjuntura. Neste particular é bom lembrar que essa fortuna tem o destino certo de pagar benefícios previdenciários, devidos na forma de poupança amealhada à custa dos próprios beneficiários. E se continuar sendo mal administrada os destinatários correm sério risco de terminar seus dias na mais absoluta miséria, juntamente com todos aqueles que deles dependam.
Nessa ponta da disputa que mais diretamente nos afeta, como participantes do Plano de Benefícios n°1 da Previ, o que importa são os feitos dos nossos defensores eleitos em pleitos anteriores, independentemente de suas filiações partidárias e convicções políticas. Neste caso, como já tiveram sua oportunidade e nada fizeram, ou fizeram muito em direção ao nada, o único caminho a seguir é alijá-los do poder evitando o continuísmo destruidor.
Por isso, na eleição PREVI 2010 não se pode pensar nas siglas partidárias do voto obrigatório, nem em nomes bons em quem votar, mas simplesmente fixar-se na certeza de não votar em determinada chapa pela total negatividade que representa.
Deve-se, isto sim, contribuir para a implantação de mudanças e, a partir daí, exercer severa fiscalização para forçar os novos eleitos a trilharem o caminho da seriedade, com desempenho honesto e capaz.
Se não podemos trazer de volta à lisura os desencaminhados propositadamente, resta-nos a opção de mostrar aos noviços o bom caminho que lhes servirá de guia em respeito aos nossos votos.
Marcos Cordeiro de Andrade – Curitiba (PR) – 13/04/2010.